Quando afirmou “O Estado sou Eu”, Luís XIV, o rei Sol da França, criou a expressão que consagraria o poder político pelo absolutismo. O Iluminismo e os ideais da Revolução Francesa acabaram com a concentração dos poderes nas mãos do soberano. Ficaram restos que mais tarde foram pinçados por pelo regime criado pela Revolução Socialista de Lenin. Não obstante o seu fim, o mal já tinha causado: alguns fragmentos do absolutismo continuam sendo usados com disfarces das mais diversas formas. Mais grave: deixou de ser um regime da exclusiva natureza estatal para ser adotado por entes particulares de interesse popular.
No Brasil, o exemplo clássico da concentração de poderes são as associações cujo objeto social é de interesse público. O futebol, em especial. Há anos, os principais clubes adotam esse regime em suas administrações, transformando-se em capitanias de pessoas, idéias e interesses. Bem resumido, os nossos clubes passam de pais para filhos sem que para isso precisem de uma identidade sanguínea. Há exemplos clássicos no futebol brasileiro. Um antigo: o São Paulo. Um recente: o Atlético. Ao caso específico: o Furacão.
O clube passou com o poder concentrado na “Retaguarda Atleticana”, que o municiou com dirigentes durante quase vinte anos. Quando precisou renovar pessoas, idéias e administração, não encontrou ninguém, passando a fazer por exclusão, como se laçasse boi no pasto. Embora parecesse democrático, o Atlético sempre deixou concentrar a sua vida em poucas pessoas. Por não ter ninguém, improvisou com José Carlos Farinhaki e Hussein Zraik, quase indo a óbito. Com a volta da Baixada, Farinhaki fez um remendo nesse improviso.
Em 1995, o ideal de Fornea e Adur uniu-se ao ideal – e também ao interesse – de Mário Celso Petraglia. Dessa união resultou o Atlético de hoje, mas sem que os três transigem com as suas ideais e as suas decisões. Com a saída de Fornea e Adur, Petraglia adotou a administração que fosse boa para o Atlético e para ele. Estaria certo, se tivesse pensado mais no Atlético do futuro. Acabou pensando só nele, esquecendo em renovar pessoas e idéias.
Pelo absolutismo, o Atlético errou na última eleição: deixou escapar preciosidades que eram Diogo Fadel Braz e Enio Fornea Junior, que teriam feito tudo que Petráglia fez, sem hipotecar o patrimônio do clube.
Em razão da cultura do poder absoluto, o Atlético está à véspera de uma eleição sem ter candidato. Continuo.
Poder II! Leia a segunda parte da coluna do Mafuz!
