O atleticano que não foi ver o jogo na Baixada, é um pobre coitado.
Há tempo não se via o que aconteceu, embora lembre o filme de história dramática que passa todo ano. Mas desta vez, o Atlético era um time de crianças. Até o goleiro Neto, que só um dia desses saiu do berço, tinha a desconfiança dos 20 anos.
Estava entre esses pobres coitados. Preferi esconder o meu medo, que me fez tremer mais que o goleiro Galatto pareceu tremer no intervalo do jogo.
Pois quem foi, viu um dos momentos mais comoventes da história do Atlético. As crianças jogando como se fossem velhas cobras criadas em vestiário. Foi tamanho o controle emocional, que a pressão da fatalidade que se anunciou com o gol do Coritiba no Mineirão, transformou-se no aspecto central para o grande jogo. O Atlético foi absurdamente irrepreensível sob o aspecto tático e individual.
Fez 1 a 0 com Wallyson no 1.º tempo, e submeteu, no 2.º tempo, o histórico Botafogo à humilhação da ininterrupta troca de passes. Fez 2 a 0 com Paulo Baier, e só não goleou porque o árbitro Seneme não marcou um pênalti sobre Valencia.
O Atlético, outra vez, escapou do rebaixamento. A alegria não deve ser transportada para fora da Baixada. É falsa a alegria pelo fim da angústia da desgraça possível.
A torcida do Atlético não merece sofrer todo o ano.
Peço licença ao senhor Paulo Baier, a quem o Atlético deve a permanência na primeira divisão, para escolher Alex Sandro como o melhor em campo. Os espanhóis da Galícia lhe chamariam de preciosidade.
Drama
Não existe, em tese, gol inesperado. Mas o de Jeci, que fez Coritiba 1 a 0, no Cruzeiro no Mineirão, chocou o próprio time de Ney Franco. Depois que o Cruzeiro empatou com a falha do goleiro Vanderlei, e virou com a falha completa da marcação e da zaga, o Coritiba ficou frouxo. Seus jogadores voltaram para o segundo tempo com a disposição de quem vai para o matadouro.
Bem por isso, o Cruzeiro goleou 4×1.
A marca do centenário, depois de frustrar a torcida com a perda do estadual, iludi-la com o engodo do novo estádio, ser incapaz de trazer Cláudia Leitte para cantar o seu hino, pode ser a queda para a segunda divisão.
Só que se ocorrer no próximo domingo, será a passagem mais traumática da sua história. Será em casa, diante de 30 mil pessoas. Se não ganhar do Fluminense, com todos esses privilégios, aí o Coritiba irá merecer o rebaixamento. Como seria o caso do Atlético, se não ganhasse do Botafogo na Arena.