Pobre Paraná

Por obrigação, preciso escrever sobre as eleições para a presidência do Paraná. Confesso que temia em analisar o tema com medo de magoar a sua torcida. Mas me convenci de tratar do assunto, porque conclui que os próprios tricolores que têm direito a voto não parecem muito preocupados.

É que o grande clube foi sucateado de tal forma que é impossível, a curto prazo, devolver-lhe uma vida regular. Bem por isso, tanto faz, para a maioria dos tricolores, dizer que o baralho tem quatro naipes, que o ângulo reto possui 90 graus e que a água ferve a 100 graus Celsius. Qualquer dos candidatos serve. Melhor dizendo: não serve.

Não conheço nenhum dos dois candidatos. Ouvi-os ontem na Transamérica. Não descobri quem é João e quem é José. A diferença, sem ironia, é que um deles tem voz de locutor da madrugada de rádio AM. O discurso dos dois é igual: as mesmas promessas impossíveis de serem cumpridas, que todos que se oferecem como candidatos fazem toda a eleição.

O voto mais consciente na eleição de hoje seria o nulo ou em branco. Era a forma de a torcida protestar pela insensatez da indicação das duas chapas: uma, formada por site de torcedores; a outra, carregando um ex-dirigente e funcionário atrelados ao erro.

O Paraná precisava era de uma crise institucional. Só assim poderia originar um fato para se buscar uma solução sensata. Às vezes, o voto nulo ou em branco também integram o exercício da democracia. Em especial, quando se trata de defender um valor da pessoa, como é o clube de coração.

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