Há tempos sou provocado por atleticanos para explicar as razões pelas quais escrevo muito do cartola Mário Celso Petraglia e pouco do Atlético. A resposta exige confronto direto com os fatos, sem entrelinhas.

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Há 20 anos, Petraglia é o principal protagonista da guerra contra a pobreza que os atleticanos fizeram em 1995. Implantou uma nova espécie de idealismo: o idealismo profissional, que eu conceituo como aquele em que o exercício do amor por uma causa não é gratuito, exigindo alguma forma de retribuição material. Para um clube em estado de coma, apático e melancólico como estava o Atlético, Petraglia foi o profissional de qualificação completa: o seu amor pelo Furacão era do mesmo tamanho que o seu apetite por dinheiro. E, daí todos sabem: dividiu-se a história do maior clube do Paraná.

Ocorre querendo mais para si, Petraglia quis dar mais para o seu Atlético. Com essa obstinação tomou dinheiro público, hipotecou o patrimônio e até o último centavo do clube para construir na Baixada, o mais belo estádio do Brasil. Há uma imagem distorcida de Petraglia, que é a de que ele lucra com o dinheiro do Atlético. Não é verdade. O que Petraglia faz é criar mecanismos nos grandes negócios para remunerar o seu trabalho de administrador. É simbólico o caso das cadeiras da Baixada.

Só que com o tempo, entre essas suas virtudes de gostar do Atlético e o apetite por dinheiro surgiu um descompasso: Petraglia ficou mais rico e o Atlético pobre de vitórias. O grande realizador de obras passou a proteger o dirigente incapaz de fazer um time de futebol.

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Com princípios inadequados para gerir o futebol como jogo, porque adota o absurdo de não ver custo benefício em títulos e ídolos, Petraglia maltrata a torcida. Por acreditar no futuro prometido de vitória, a torcida foi leal: pagou a mensalidade de sócio para ficar em casa, passar fome em Vila Capanema, comer grama no Janguitão e areia em Paranaguá. Enquanto o Atlético fracassa no campo, Petraglia, usando a cultura do silêncio e do medo, apresenta-se como a sua única celebridade. Às vezes pode pensar que é Luiz XIV, o Rei Sol, da França e exclamar: “O Atlético sou eu”. Só que daí, com tantas derrotas acumuladas, corre o risco de fazer da Baixada o Palácio dos Inválidos.

Confesso-me um inconformado em ver um homem que construiu tanto ser tão pobre de espírito por vitória no campo.
Está respondido. Escrevo mais de Petraglia, porque ele se tornou maior que o Atlético.

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