Pijama verde e branco

Os nobres do final do século XVI não suportavam mais a moda. Por serem nobres, lhe era imposto o uso de diversas roupas, em especial pesadas, para serem diferentes dos seus serviçais. Foi então que surgiram as roupas leves para o descanso no final do dia, usadas para dormir. Desta ideia, os americanos criaram o pijama para o conforto, sossego e paz.

Mas há momentos em que a história do pijama passa a ser contada no sentido figurado. Nessa linha, os Coxas estão escrevendo uma nova versão da história do pijama: o campeonato está terminando, e não conseguem ganhar mais fora de casa. Argumentos críticos não faltam. Para uns, falta personalidade ao time; para outros, disposição ofensiva privada por um esquema defensivo.

Entendo que não é uma coisa nem outra. O motivo é singelo, que está sendo escondido por vitórias eventuais: o Coritiba, ao contrário do que se prega, não tem um bom time. As suas deficiências ficam escancaradas quando não joga no ambiente do Couto Pereira. Jogando fora, torna-se um time comum.

Houve uma avaliação equivocada após a perda do título da Copa do Brasil. A possibilidade desta conquista criou a ilusão do bom time. Desprezou-se uma grande diferença: jogar um torneio eliminatório, como a Copa do Brasil, não depende apenas de time, mas de circunstâncias eventuais; a outra, é competir em um campeonato de pontos corridos, como o Brasileiro, que depende de time, que, sendo bom, absorve qualquer circunstâncias.

A personalidade e o esquema dependem de um bom time.

Exemplo

O assunto no Atlético segue sendo “Morro” García e o custo financeiro e técnico que continua representando a sua contratação. Só que não foi a primeira vez que o Furacão fez esse estrago. Em 2000, Petraglia anunciou “uma contratação internacional, a maior na história do Atlético, um goleador”: Abel Augusto Lobatón Espejo ou simplesmente Lobatón, vindo do Peru. Por 50% do passe, o Atlético pagou 500 mil dólares, que convertido em real para a época, e atualizado pelo INPC e juros legais (1%), hoje bate quase em 10 milhões de reais. Como “Morro”, Labotón, depois do gol contra para o Coritiba em sua estreia, desapareceu.

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