“O beijo, amigo, é a véspera do escarro. A mão que afaga é a mesma que apedreja”. O poeta Augusto dos Anjos não conheceu Mário Celso Petraglia. Se conhecesse, bem que poderia mudar a posições dos verbos, sem que o seu poema imortal corresse o risco de perder o sentido de que o bem como o beijo é apenas um passo para o mal como o escarro.
Petraglia primeiro apedrejou, impedindo que os jogos do Atlético não passassem pela televisão. Agora afaga, e não existe afago melhor do que o inesperado, como é o contrato assinado com a televisão liberando a transmissão dos Atletibas. O Atlético vai ganhar em dois jogos o que o Coritiba ganhou por todo o campeonato.
Petraglia não saiu vencedor desse episódio só porque é inteligente. Foi um apostador, que usando a carta do improvável, que era o Furacão sub-23 ir à final, agora vê “a cidade em romaria beijar a sua mão: O prefeito de joelhos, O bispo de olhos vermelhos. E o banqueiro com um milhão”, tal qual a “Geni e o Zepelim” de Chico.
Mas a vitória não foi só de Petraglia. O ato da RPC é manifestação de grandeza. E não se trata de grandeza comercial, por que essa se materializa pelo exercício do poder do dinheiro. A grandeza do ato está no seu caráter social, na oportunidade que dá ao povo de se integrar e participar com seus sentimentos, da única instituição esportiva que temos no Paraná, que é o Atletiba.