Peso da omissão

Não pensem o torcedor e os conselheiros do Paraná que tudo termina com a saída de José Carlos de Miranda. A crise está apenas começando, porque o mais grave está para ocorrer. E aí as características da crise, guardadas as proporções, constituirão uma MSI paranaense. Para que o dinheiro da televisão, da cessão de jogadores, e de outras fontes não fosse retido por ordem da Justiça, a diretoria tricolor – e, presume-se, em especial o atual presidente Aurival Correia, por ser diretor de finanças, autorizou que os recursos fossem para uma conta, que não é a do Paraná. Miranda não faria isso sozinho ou com o desconhecimento de Aurival.

Em um processo judicial, em que os direitos sobre a cláusula penal do contrato de Josiel foram penhorados, a diretoria do Paraná – sempre com Aurival decidindo por ser diretor de finanças – ofereceu espontaneamente a penhora da bela e histórica sede da Kennedy. Seria como dar em penhora a própria tradição. Argumento: os direitos de Josiel pertencem aos investidores e não ao clube. Entre os investidores, alguns ocultos, estão dirigentes. Vão-se os dedos, ficam os anéis.

E quem é o presidente do GI (Grupo de Investidores)? Aurival, diretor de finanças, presidente interino e candidato a presidente em dezembro. E quem é o olheiro e comprador de jogadores do GI ? Vavá, diretor de futebol do clube, que já confessou em rádio que é representado por familiares no fundo.

O Paraná não quer revisar o contrato da cessão de Thiago Neves para não correr riscos de outras perdas. Independente do aspecto jurídico está absolutamente certo na disposição. É um problema de avaliação interna. Mas o que os seus conselheiros não podem é virar as costas para a ação de Miranda e a omissão de Aurival. O contrato que tirou Thiago gratuitamente do Paraná é de janeiro de 2006. Portanto, tem quase dois anos. Das duas, uma: como diretor de finanças foi omisso, ou é um péssimo dirigente.

O mais grave: o Paraná tomou conhecimento – e não foi só Aurival, foi Vavá e também o presidente do conselho deliberativo (desconheço o nome), de que uma liminar trabalhista havia devolvido o  direito ao Paraná de negociar Thiago Neves, excluindo todos os empresários do processo. O Paraná não interveio no processo, que por ?ordem de Thiago?, foi arquivado. Bastava uma simples intervenção do clube para manter o litígio trabalhista, que iria lhe favorecer. A cláusula da multa de R$ 6 milhões, que Aurival sabia existir há dois anos, tinha sido declarada nula. Aurival não levou esse fato ao Conselho Normativo. Coincidência ou não, o mesmo advogado paulista, que assessora o grupo que está adquirindo Thiago, é o mesmo que defende alguns interesses do Paraná.

Aurival mandou publicar uma carta, não oferecendo uma única palavra de conforto a Miranda, e dizendo que está preparado para tudo. Estaria absolutamente correto, afinal é um dirigente que maneja bem dívidas e dinheiro, se a sua omissão não fosse a causa imediata e principal para essa crise moral e perda de identidade do grande clube.

Nem sempre quem procura ganhar alguns trocados é o maior culpado.

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