Personalidade

Quando se diz no futebol que um time tem personalidade, se quer dizer que o time tem as virtudes básicas para jogar contra situações adversas: qualidade individual, organização tática, e recursos para enfrentar o imprevisto.

Quem viu o Atlético ganhar do São Paulo na Baixada e quatro dias depois perder para o Cruzeiro no Mineirão (2×0) pode afirmar que é um time sem personalidade. E pode afirmar mais e em definitivo: o Furacão só tem folga na classificação porque na Baixada a sua torcida o carrega no grito. Dito de outra forma: a personalidade do time de vermelho e preto não está no campo, mas na arquibancada.
O campeonato que joga na Baixada parece ser um outro, bem diferente do que se joga fora dele. Nesse estaria rebaixado. O goleiro Weverton não irá entrar na história do clube como um ganhador de títulos, mas como aquele que o salvou de goleadas, como uma neste jogo no Mineirão. O placar de dois a zero foi uma graça.

Sem a velocidade imprimida na Baixada, o Atlético não tem como jogar. E não por não ter ordem tática, mas por não ter qualidade individual para fazê-lo. É elementar que qualquer forma de transição do jogo depende do mínimo de técnica. E o Furacão não a tem pelos lados, porque tem Natanael e Eduardo, e não a tem pelo meio porque ali se revezam Hernani, Giovani, Ytalo e Jadson, pouco generosos com a bola. Essa paisagem dá melancolia ao solitário atacante Walter, que preferindo não vê-la contra o Corinthians, provocou uma expulsão voluntária e irresponsável.

Os atleticanos que não duvidem: a ilusão está tingida de vermelho e preto.

Desconstruindo

O futebol engana. Quando Coritiba empatou o Atletiba jogando melhor, e venceu o Cruzeiro no Couto, sugeriu que o treinador Ney Franco estava o construindo. Dois jogos depois, em especial contra o lanterna Joinville, afirma-se: o Coxa está em desconstrução. O seu jogo contra o Joinville foi literalmente reconhecido como uma vergonha pela torcida. O empate sem gols, embora fosse o bastante para o lamento, tornou-se irrelevante diante de uma verdade: a intervenção da diretoria de Bacellar na reformulação do time está sendo um desastre. Kléber, Lúcio Flávio e Marcos Aurélio, sobre quem Ney Franco montou a base do seu time, não têm mais forças para jogar uma primeira divisão.

Empatar com o Joinville se torna um fato absolutamente natural.

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