Não é a Maria Batalhão do Atuba, nem o Jaguara dos Campos Gerais. Mas, às vezes, o uruguaio Juan Ramon Carrasco, treinador do Atlético, bem parece um personagem saído de um conto do fabuloso Dante Mendonça.
São personagens nascidos e criados a partir da vida real. Para não parecerem perfeitos, Dante empurra-os, sem o leitor perceber, para o estágio da ficção.
Juan Ramon está se transformando em um personagem diferente da vida do Atlético. É tão inteligente que não usa nem o português, que já aprendeu. Descobriu que o que encanta o torcedor brasileiro, também, é a explicação de fatos em espanhol.
Um dia quis saber de um uruguaio residente em Montevidéu como Juan Ramon é visto como treinador. Respondeu: “Juan tem três estágios: inteligente, místico e louco. O de inteligente, quando faz o seu time jogar em busca do gol; o de místico, vem quando ganha a confiança da torcida e começa a fazer coisas que geram desconfiança; e aí, já não tendo mais essa confiança, bate-lhe o desespero, e faz coisas que só um louco faria.”
Procurei me responder: em que estágio estaria Juan Ramon no Atlético? Meu temor era ele estar no segundo, o de místico, querendo ser inteligente demais. Sosseguei, quando ouvindo-o explicar a razão pela qual Paulo Baier passou a ser uma opção e não solução, e que não quer mudar o que é bom para o Atlético, apenas por causa de um jogador.
Agora, dou a minha razão para concordar com Juan Ramon: a dependência de Baier vem provocando estragos no Furacão há muito tempo. Todo o técnico teve que se adaptar a ele. Quando Carpegiani, em 2010, afastou-o por um tempo, o Atlético foi ao quinto lugar do Brasileiro.
Juan, ainda, está no primeiro estágio. Rezemos para que não mude logo. Ou que não mude. Da mística para a loucura, é um passo só. E aí, Dante é que sairia no lucro. Teria um personagem vindo do Rio da Prata.
Hoje, o Furacão pega o Sampaio Corrêa, na Vila Capanema. O time de Juan deve ganhar, sem traumas, e seguir em frente na Copa do Brasil.