Perigosa coincidência

A arbitragem não é o maior dos problemas do futebol brasileiro. Ganha relevo diante dos outros, porque é através dos seus erros que é exposto o seu estado de miséria moral. É através da arbitragem que o comando do sistema, que busca privilégios, intervém.

Um ou outro jogo é um fato absolutamente normal, por conta do baixo nível de capacidade dos árbitros. Nesse limite, poderia até ficar restrito à coincidência.

Mas a partir de que os erros são sucessivos, passando a influenciar resultados, adotam o caráter de voluntário e premeditado. São os chamados erros grosseiros, que acabam sendo compreendidos em razão de que o futebol brasileiro é o maior usuário do direito da livre interpretação que se dá ao árbitro.

Quero dizer que não escrevo sobre um caso específico, embora o do Atlético Paranaense possa ser adotado como o melhor exemplo nesse Brasileirão. Esse estado mísero do futebol brasileiro, em que a arbitragem é apenas um dos detalhes, não deve ser enfrentado pelo campo da qualidade técnica dos árbitros, mas pelo campo da moral.

Amanhã, o Atlético Paranaense vai começar a decidir uma das semifinais da Copa Sul-Americana. Embora as circunstâncias sejam diferentes, há um elemento oculto, capaz de provocar terríveis lembranças: o adversário é o Fluminense.

É o mesmo que, para salvar-se da terceira divisão em 1997 e retornar à primeira, influiu no ânimo desse sistema para apanhar o Furacão. Um grampo anônimo gravou Petraglia, e a prova foi usada pelo tribunal esportivo da CBF para suspender o Rubro-Negro, rebaixando-o. O resto da história todos lembram.

O ambiente não é diferente de 1997. Em uma campanha ostensiva, Mário Celso Petraglia enfrenta esse sistema: fez o Atlético omitir-se na eleição de Caboclo para a CBF, quando deveria votar contra; é intransigente e não renova o contrato de cessão dos direitos de televisão aberta, e quer criar uma liga para acabar com a submissão dos clubes à CBF.

Quero dizer que Petraglia tem razão em tudo, como tinha em 1997.

Como tinha o interesse do Fluminense cruzando o caminho do Furacão.

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