A torcida do Paraná faz-me uma severa censura, quase agressiva, porque no texto da “Triste escolha” (Tribuna do Paraná, 3/8/2004) imaginei o que aconteceria com os seus torcedores mais jovens, se a segunda divisão fosse inevitável, tendo como conseqüência a extinção do futebol profissional.
Entre as poucas virtudes que imagino ter, é a de ter respeito pelos sentimentos dos outros. Não tive a intenção de ofender, porque não é do meu princípio e não é do meu direito. Mas como os sentimentos são valores pessoais, não quero buscar argumentos de defesa, mesmo que a base seja em fatos indiscutíveis para tentar convencê-los das razões que penso ter.
Se houve ofensa, peço perdão.
Mas o pedido não implica em dissimular posições, abstrair verdades. Pergunto aos torcedores: qual foi a causa que originou a minha idéia de procurar imaginar o futuro dos jovens paranistas? São os fatos objetivos, e não o querer e as intenções dos outros, pois esses, como os sentimentos ofendidos, não podem ser presumidos.
Respondam: qual é o atual estado financeiro e técnico do Paraná, por que e por quem foi provocado? Por que abandonou a excepcional estrutura de base que tinha para aliar-se a empresários? Por que razão está outra vez lutando para não ser rebaixado como aconteceu em 2002 e no último estadual?
Fechar os olhos e camuflar a verdade para o que acontece no Paraná é incentivar o fim. Às vezes a salvação está no conto da verdade e não no conto de carochinha para fazer um afago.