À certa altura do jogo colhi um resto da esperança de empate. Foi quando o Atlético passou a marcar na frente, provocando o recuo das linhas corintianas. Não durou muito, e o razoável passou a ser tênue. Passou um pouco mais, e bem antes do final, a esperança já não mais existia.
E, então, desprezei a derrota como tema, e entendi enfrentar um fato ainda mais grave:
a mudança de Mário Celso Petraglia. O grande fazedor, que estava à frente do nosso tempo com seus projetos futuristas, parece não existir mais. Tornou-se um dirigente comum. Perdeu o interesse pelas coisas grandiosas, esvaziou o seu orgulho próprio, e arrisco até a dizer que perdeu a vaidade de ser indicado como um revolucionário do futebol brasileiro.
Volte-se ao jogo do Pacaembu não para buscar conclusões de temas banais, que se extraem do jogo em si. Mas para ver como Petraglia anda destratando a si próprio, e em linha direta o grande povo atleticano.
Quando existia aquela esperança, lembra dela, o treinador Vadão procurou no banco e encontrou a solução: Marcos Aurélio. Quando vi aquele pedacinho de gente, desse tamanhinho, com o corpinho de personagem saída das estórias de Jeca Tatu, confesso que ao invés de esperança senti constrangimento. Uma espécie de vergonha.
Vadão não ficou por ai: tirou Dagoberto sob o pretexto de que estava cansado para colocar Herrera. Dagoberto sem pulmão e algemado para a próxima audiência, é melhor do que qualquer outro. Mas a obra produzida por Petraglia e executada por Vadão não estava completa. Faltava o último ato. E ele veio ao melhor estilo petragliano: Fabrício. Lembra dele? É aquele mesmo Fabricio, só que agora, com um traseiro ainda mais extravagante, gordo quase não podendo se locomover.
É exatamente aí que eu quero chegar: o que Petraglia sente ao ver o seu time com Marcos Aurélio, Ivan, Fabrício, Herrera, Ferreira, e sem esquecer que o indiscutível Neto Baiano estava no banco, à espera de uma brecha para entrar.
Se sentir vergonha, como todos os atleticanos sentem, já é alguma coisa.
Então, o Atlético ainda tem salvação.
Poder
O Paraná ganhou do Vasco (2 a 1), e desta vez nem precisou jogar bem. No primeiro tempo jogou com a sorte do pênalti perdido pelos cariocas, e o gol imediato de Sandro.
No segundo, bastou andar para ganhar o jogo com folga. Maicosuel fez outro golaço, o da vitória.
No entanto, a diretoria saiu derrotada. Para ganhar trinta moedas a mais não se pode ir contra o valor da instituição, que é a camisa. À primeira vista não era possível distinguir se o comercial anunciava a marca de uma empresa ou um filme de terror. O ?design? é dessas coisas grotescas, que desvaloriza o próprio produto. E a camisa de um time que é a sensação do campeonato deveria ser mais valorizada.