O jornalista Silvio de Tarso foi embora.
O tema do debate é futebol, música ou política? Então, chame o Silvinho. Em um estúdio de rádio ou televisão era perfeito. Com memória de gênio, bastavam cinco minutos para raciocinar sobre um assunto, e debatê-lo, se preciso, por horas.
Era o Silvinho. Não conseguia, às vezes, compreender como o seu corpo pequeno e franzino concentrava tanta bondade e humildade, tanto desapego, projetados pelo seu sorriso infantil.
O jornalismo é uma profissão danada. Para ser grande o jornalista, pode até ser humilde, mas tem que disfarçar essa virtude. Silvinho passou discreto pelo jornalismo, porque a sua grandeza pessoal absorvia o seu gênio.
Se eu tivesse dez por cento do talento de Silvinho, seria o melhor jornalista da província. Mas como não consegui nem um por cento, mesmo que Silvinho tenha ido embora, continuo como sempre fui na província: qualquer um.
Questão social
Um dia desses, o presidente Mário Celso Petraglia falou que o ingresso na Arena do Atlético poderá ter o valor de 500 reais por jogo. Há quem o tenha chamado de louco.
Petraglia pode ser louco por outras coisas, mas não por isso. A elitização do público no futebol brasileiro é inevitável. Ainda, mais, para as torcidas de clubes fora dos grandes centros. O dinheiro da televisão para os times de torcidas nacionais, tornou-os tão desiguais em privilégios aos clubes de centros médios, que esses não têm outra alternativa de buscar a compensação em busca de uma vida digna: a arrecadação mensal do sócio.
Até pouco tempo, não havia diferença entre o torcedor que ama o clube e o torcedor que gosta de futebol. Com a terceirização da gerência dos estádios, o custo de sua manutenção e a exigência cada vez maior por grandes times, o torcedor foi dividido em duas espécies. O que ama o clube e se associa será poupado, o que gosta de escolher um jogo para ver, terá o ônus dessa exceção que ele próprio criou.
Há quem garanta que haverá um problema social.
Haverá, não tenho dúvida.
Mas o culpado não é o futebol.