Nunca parecido com um atleta, mais do que um jogador parecia um personagem escapulindo de uma história de Monteiro Lobato: pequenino, deste tamanhinho, um metro e cinqüenta ou um pouquinho mais, franzino e quase desmilinguido.
E assim, tão pequena e quase inexpressiva figura, na noite de cinco graus na Arena, apresentou-se definitivamente para o Brasil: Marcos Aurélio. Quando saiu de campo, antes do final de jogo, nem parecia aquela figura exótica, que só o futebol é capaz de produzir. Embora pequenino, do tamanho de um grão, saiu grandioso, fazendo a Arena pequena para ele. Marcos Aurélio foi o grande jogador, de uma das mais comoventes vitórias do Atlético: contra o poderoso Santos, 2×1.
Sob qualquer ângulo que seja analisado, o Atlético foi um espetáculo. Visto sob o aspecto tático, o que pouca gente vê e compreende por causa da emoção, em alguns momentos chegou à perfeição. Jogando pelos lados, com Dênis Marques, excelente, criativo e ressucitado, pela direita, e Cristian, o melhor em campo, pela esquerda, submeteu o Santos aos seus encantos. Já era para ter resolvido o jogo, no primeiro tempo. Mas foi no segundo que a vitória veio pela razão mais simples para explicar uma vitória: o Atlético foi irrepreensível. A tempestade por enquanto foi embora.
Desafio
O Paraná joga no Maracanã contra o Botafogo levando para campo a insegurança de duas derrotas sucessivas. Talvez esteja aí o grande erro tricolor: entender que duas derrotas em seqüência são um drama, nem dar valor à derrota para o São Paulo no Morumbi, é querer ir além do que pode.
Se o Paraná voltar a ter a humildade de se submeter aos seus limites, virtude mandamental para a bela campanha, pode voltar a vencer neste campeonato.
Basta voltar a ser humilde.
Retorno
Não sei como anda Paulo Rink. Exilado em Chipre, escondeu o seu futebol. Mas não importa como anda. Rink no Atlético sempre será bem-vindo. Mais do que o que possa jogar traz o ideal de encerrar a sua carreira no clube de coração.