A entrevista de Cidão à ESPN Brasil, e reproduzida pelo ?Mesa Redonda? do Fernando Gomes, faz com que o escândalo da arbitragem alcance oficialmente Onaireves Nilo Rolim de Moura, presidente da FPF. A versão dada é a de que Moura teria recebido 50 mil reais do Operário para programar um bom resultado contra o Prudentópolis. Acerto programado em uma pescaria no ambiente bucólico do Pantanal.
Se recebeu não sei, mas acredito em Cidão. Pode parecer um capricho, pode ter soado como uma heresia, pode ser até um paradoxo acreditar em quem foi banido do futebol. Mas o crédito é em razão de que Cidão foi o único que confessou a culpa. Coloquem os antecedentes de cada um nos pratos e vejam para onde a balança pende.
Mais um paradoxo: o problema não é de Moura. Seu comportamento censurável é público, às vezes tão ostensivo que o transforma em prova por fato notório. Histórico conspurcador, sempre está envolvido em problemas éticos, e tem o extraordinário poder de absorvê-los sem atrapalhos. Existe um cheque de 5 mil não descontado em posse de Cidão.
O problema é do Tribunal de Justiça Desportiva. Existe uma acusação gravada, nela, detalhes riquíssimos de tempo (Páscoa), lugar (Pantanal) e valores (50 mil reais). No mínimo Moura tem que ser afastado da presidência até ser instaurado e processado um inquérito e, se denunciado, ser julgado.
Alguns auditores do TJD estão desmoralizados como homens e como praticantes do Direito. Mas sempre existe uma maneira de se resgatar os valores da vida, inclusive o valor da moral. O pedido de afastamento de Moura tem que ser imediato, desculpem, já deveria ter sido providenciado ontem. A omissão vai transformar os auditores, e aí serão todos porque os honestos continuam em um tribunal de acertos, passando a com concordar pela omissão. Aí serão julgados como integrantes destes escárnios marginais.