Sei que o atleticano que renova o meu ideal de ser jornalista, deve estar decepcionado por não ter escrito uma única linha sobre o caso Manoel versus Atlético. Não o fiz porque em 42 anos não confundi minhas funções profissionais de jornalista e advogado. Desafio qualquer um, que me indique uma única causa em que misturei os interesses profissionais para ter benefícios.
Não nego que me interessei pelo caso Manoel, como me interesso pelo caso Nathan. Não nego, que o escritório do qual sou apenas um dos quatro sócios com direitos e participações iguais, mas independentes entre si, tenha sido atraído não por clientes, mas por causas. Nem tanto pelo aspecto financeiro, mas pelo ideal de cada caso em si.
Qual é a razão de eu impedir que os que trabalham do meu lado, que não dependem de mim, exerçam plenamente o ideal da advocacia? Seria a minha paixão pelo Atlético, da qual nunca tive medo, e por isso nunca a escondi?
Desculpem os atleticanos, por conta desse sentimento já cometi pecados, mas aprendi que nenhum seria mais grave do que o egoísmo. O sentimento me exigiu outros sacrifícios, inclusive financeiro, renunciando a direitos e fazendo doações ao clube de valores significativos.
Sem considerar que eu pessoalmente fui obrigado a renunciar a favor de um dirigente atual, a um crédito que ganhei em ação de indenização, por danos morais. Esse foi um grande pecado, porque me deixei usar e deixei usar o Atlético. Não me perdoo.
Não assinei petição e mandei excluir meu nome da procuração por um simples fato: respeito a minha história dentro do Atlético e respeito aos clientes dos meus companheiros de escritório. O que eu não posso por meus princípios católicos é usar os meus valores para manipular o ideal e o trabalho de pessoas, em especial, que me são caras.
Só devo satisfações à minha história no Atlético, à minha família, aos poucos amigos e ao comando do meu jornal, que nunca me fez uma única censura, mesmo sabendo da minha vida.
Por fim garanto ao torcedor, que nesses processos existem três vítimas: Manoel, porque tem o direito violado, inclusive discriminado, Nathan porque tem o seu direito ameaçado, e o Atlético porque está pagando a conta de um processo predatório.
Desculpe, mas não suportava mais o silêncio e a omissão.
E, aqui, começo e termino esse assunto.