A rivalidade histórica entre Atlético e Coritiba, que criou uma das maiores instituições da sociedade curitibana – o Atletiba – , foi a única coisa que restou do futebol paranaense. Sem ela, não há futebol. O natural seria a contradição de movimentos. É o mérito da rivalidade, que se traduz no conflito de interesses.
Mas os sentimentos dos torcedores parecem ser homogêneos. Eles nascem, sobrevivem e se vinculam com os fatos e personagens que surgem na execução da vida de cada clube.
Explica-se aí a idolatria que a torcida atleticana tem por Geninho. O técnico pode até ser comum no mercado geral, mas para a torcida atleticana está acima do bem e do mal, sendo irrelevantes os erros a que está sujeito como o que cometeu em Cianorte, quando foi passivo diante da inoperância de Júlio César no ataque.
Desde que comandou o time no maior título da história atleticana, o Brasileiro de 2001, Geninho grudou no sentimento dos atleticanos de arquibancada. Quando era preciso mudar de técnico, o seu nome era sempre gritado.
Geninho voltou não apenas por ser um bom técnico, mas por ser em razão dessas circunstâncias, uma proteção para a administração do clube.
Os coxas estão indo pelo mesmo caminho.
René Simões está atrelado aos torcedores do Coritiba, talvez, muito mais do que Geninho aos atleticanos. Geninho é mais profissional. É que René se declarou coxa, escreveu um livro sobre a volta à primeira divisão que comandou, e, sempre que é provocado, jura amor eterno ao clube.
Agora, a torcida coxa que perdeu a paciência com Ivo Wortmann, pede René Simões. E grita: René, René.
O que fará a diretoria do Coritiba?
Trará René Simões, como a do Atlético trouxe Geninho.
Se o Atlético fosse rebaixado com Geninho, todos os pecados do mundo seriam perdoados. Se o Coritiba perder o titulo do centenário com René, pelo menos os pecados mortais serão esquecidos.