O zagueiro Rhodolfo foi negociado com um investidor, que o repassou para o São Paulo. A cessão analisada sob o aspecto financeiro é excelente para o clube. Além de um valor considerável, que pode ser presumido entre 1,5 milhão e 2 milhões de euros, o Atlético tem reservado o equivalente a 50% dos direitos sobre o vínculo.
Se Rhodolfo jogar no São Paulo o que jogou no Furacão, com Carpegiani, os 50% remanescentes serão bem mais valiosos que os 50% cedidos. Mas se Rhodolfo fosse vendido por dez reais, ainda assim teria sido um bom negócio.
Explico: ao lhe ser prometido a cessão para outro clube, e ser dispensado dos treinamentos quando não existia sequer uma proposta oficial, foi criado em si o ânimo de ir embora a qualquer custo. Pergunto ao leitor: qual seria o estado psicológico de Rhodolfo se tivesse que retornar ao CT do Caju? É razoável presumir que diante das circunstâncias estaria fragilizado.
Agiu com equívoco o presidente Malucelli, por que se afastou da relação profissional e legal para tratar do assunto com paternalismo, realizando a vontade do jogador e caindo no conto do empresário, que prometeu trazer proposta do exterior.
O Atlético é um clube que não pode reclamar da Lei Pelé. Se o jogador vai embora porque não quis renovar o contrato culpa-se o seu agente. Só que quando o jogador tem contrato, negocia-se também para atender a sua vontade. Na prática, a vontade do empresário Félix.
Da forma como o caso de Rhodolfo foi encaminhado, amanhã qualquer outro jogador pode reivindicar o direito de pedir para ir embora. Se houver resistência do clube, haverá má vontade do atleta. Sob o aspecto esportivo e legal, o negócio foi péssimo, porque irá comprometer a relação futura com outros jogadores.