Passou, passou, passou

Aconteceu: lá longe, no bairro Alto Boqueirão, quase quando Curitiba termina pela Zona Sul, na Vila Olimpica, o Atlético derrotou o Coritiba: 3 x 1.

Não vi o jogo. Ouvi-o pela CBN. Com a análise técnica e individual de Valmir Gomes na memória, esperei pelas imagens da televisão dos melhores momentos. Pronto: já me senti preparado para escrever sobre a vitória do Furacão. Não precisava mais: a superioridade técnica do Atlético não ficou só no campo abstrato, na ilusão que a transmissão do rádio cria em nosso espírito. O Atlético foi tão superior, que foi a hipótese em que a ilusão se confunde com a realidade.

Embora tenha suspirado com alegria, não acalmei os meus sentimentos com o primeiro “passou, passou, passou” – desta vez, carregado de mágoa do excelente narrador Edgar Felipe. O gol de Edigar Junio foi importante, mas foi um outro fato que projetou a solução do jogo. Esse fato foi o gol perdido por Alex. Foi decisivo, porque mostrou que Alex, que poderia ser o fator de desequilíbrio, não estava bem. Então, a partir desse fato, o Atletiba passou a ser entre iguais.

Só que surgiu uma inesperada diferença que encaminhou a solução do jogo, sem traumas e sem dúvidas, a favor do Atlético: Zezinho, esse jovem meia que agora parece estar se aprumando na vida. Fez de tudo, e no segundo gol, de sua autoria, chegou até a ser craque. E se não bastasse esse jogo magnifico do Furacão, o Coritiba colaborou: sem esquema tático, desprotegeu, ainda mais o seu fraco sistema defensivo. Por isso, Crislan fez o terceiro gol, na falha de Escudero. O gol de Alex, ao invés de ser um consolo, aumentou a dor. É o que acontece quando tudo está consumado.

Uma vitória histórica. Os netos de Petraglia, os meus e de todos os avós atleticanos, finalmente tiveram a notícia de que o Atlético ganhou dos Coxas no Estadual.

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