Enio, Nerci e Daniel são sócios do Kan, e sócios do sentimento de angústia, que domina os atleticanos. Conversavam sobre o time, e já esgotada a decepção do goleiro ao ponta esquerda, foram além. Sobrou para mim.

continua após a publicidade

Pergunta aí, Enio: “Você anda perturbado?”

Perguntei a razão, e ele respondeu: “Quem diz que o Julio dos Santos é excelente, não está bom da cabeça”.

Sei agora que o motivo de tamanha dúvida é que Julio dos Santos não corre, não tem velocidade e não tem força.

continua após a publicidade

Agora, sou eu que pergunto a todos: Adianta o Pedro Oldoni correr e dar pancada, o Alan Bahia jogar como se tivesse cátedra e não ser prático nem em passe; e adianta Ferreira continuar passando da bola ou Rafael Moura fazer de conta que corre?

Julio dos Santos parece um passarinho triste, é verdade.

continua após a publicidade

No final dos anos 80, o Atlético teve um meia, assim como Julio. Chamava-se Mazinho e veio de Sorocaba. Por também não correr, foi chamado, por Carneiro Neto, de passarinho triste. Foi embora para a Europa. Lá, sem correr e só jogando com a bola, ficou milionário.

Como Julio, Mazinho sabia duas coisas, que parece que os outros jogadores atleticanos ainda não descobriram: que existe a bola e para o que ela serve. Existem momentos no futebol em que a velocidade é burra. Exigem que a bola seja presa e segura, porque assim, um time pode se compor no meio e no ataque, e se recompor na defesa. A não ser que Tostão esteja equivocado.

A qualidade de excelente é específica e a sua extensão depende das circunstâncias em que é empregada. É isso aí, queridos amigos.