Passaporte

Pensei que com o tempo ia perder um pouco a ingenuidade, acreditando em certos fatos. Confesso que torci para que as dores que maltratavam Cocito acabassem e que o jogador fosse devolvido ao time do Atlético.

Eis que vem a público a notícia: Cocito não está jogando porque foi para a Itália em busca de um passaporte. Não jogou contra o São Caetano e contra o Paysandu. E o Atlético perdeu. E pode ser que não jogue contra o São Paulo.

Entendo o lado do jogador. Mas é difícil entender o lado do clube, porque a necessidade de venda não pode ser aleatória, mas coincidente com a sua classificação e seus recursos financeiros. Não entendo como coincidência o fato de que as derrotas do Atlético tenham voltado com a saída de Cocito. E com uma penca de gols sofridos.

A diretoria nega que exista uma proposta oficial. Se não existe, é mais grave ainda a sua dispensa, porque se libera um jogador que se tornou o ponto de referência de um time frágil. Se não há mea culpa, por que razão anunciar que Cocito está machucado, quando ele está na bela Piazza Navona, em Roma? Os repórteres que fazem cobertura do Atlético, das duas uma: sabiam e omitiram o fato, ou como eu, são também ingênuos. Só que eu não vou ao CT do Caju há quatro anos. E onde está a ética dos médicos?

Mas não é só isso. A transigência, que incentiva diretamente o jogador a procura de negócios, cria um perigoso precedente em época de resultados inseguros: hoje é Cocito, amanhã pode ser o excelente Paulo André, e de repente todos se acham no direito de querer um passaporte e ir embora. Daí o ambiente temerário que se divulga existir, no qual se extrai a irritação de Lopes com alguns jogadores. E se for por isso, com absoluta razão.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google