O saudoso Evangelino da Costa Neves não foi apenas o maior presidente da história do do Coritiba. No seu tempo, foi um dos maiores dirigentes do futebol brasileiro. E esse estágio não alcançou de graça, mas porque, entre outras virtudes, tinha a de saber ouvir.
Desde cedo acreditou na lição de que era inútil ter um grande time sem um grande goleiro. O histórico de goleiros extraordinários nos anos de supremacia do Coritiba é centrado nessa explicação técnica, quase científica: Célio Maciel, Joel Mendes, Jairo, e depois de um hiato, Rafael. E não obstante o Coritiba sempre ter um time poderoso, com craques espalhados em todos os setores do campo, o goleiro não era um simples detalhe. Ao contrário, o grande time, sem ele, parecia se esvaziar.
Lembrei das lições do querido “Chinês”, quando Weverton, em Bogotá, fez uma defesa de mão trocada, salvando um Atlético quase submetido ao Millonarios. Continuei lembrando quando esparramou-se para cortar uma bola rasteira que estava entrando no gol. E depois, quando aparou sozinho os colombianos. E, finalmente no pênalti que provocou o caráter emocional que regeu a decisão a favor do Furacão.
Há uma grandiosa diferença entre aquele passado e esse presente. Por melhor que fossem Célio, Joel, Jairo, o time do Coritiba não era dependente do goleiro. Como o Atlético, campeão brasileiro de 2001 com Flávio, o “Pantera”: time e goleiro constituíam um elemento único.
Com o Atlético que está aí é diferente. Há Weverton e pouco distante há um time. Esse é dependente daquele. Há dois elementos quase dissociados.
Por ter um time que precisa disciplinar-se ao esquema tático e superar-se fisicamente para compensar os seus limites, o Furacão passa a ter uma dependência quase mortal do seu goleiro. É tão flagrante essa dependência, que é possível afirmar que sem ele não haveria vida.
Condição
Um dia desses um leitor de nome Lincoln escreveu que “ue meu pai falou que se eu não fosse Atlético seria o melhor cronista esportivo do Brasil”. Fico até comovido, mas tenho consciência dos meus limites. E nunca tive essa ambição. Já ficaria feliz se um dia conseguisse ser o melhor cronista da quadra da minha rua. E se fosse para não ser Atlético a condição para ser “o melhor do Brasil”, eu não queria ser “o melhor do Brasil”. E nem queria mais ser o melhor da quadra da minha rua.