A discussão sobre o preço de 30 reais para assistir o Atlético jogar na Arena, não pode ser encerrada com as teses acadêmicas, sejam elas jurídicas, sejam elas econômicas.

Não obstante ser necessário ir além das teses, a discussão esbarra em uma terrível dúvida: quais os interesses que estão por trás? Provoca-se a dúvida na medida em que a prestação de serviços da venda de publicidade, que agora é dos americanos, trazia benefícios por contrato para a empresa Allmarket, cuja relação formal ou não com Mário Celso Petraglia e Mauro Holzmann nunca foi negada.

Uma cópia de um contrato de intenções que seria firmado com os portugueses dava benefícios de toda a exploração, da Arena, também, a Allmarket. Agora, vem a parceria com os americanos, que coincide com o estonteante aumento do preço dos ingressos para o mínimo de 30 reais.

Gratuitamente, é de se presumir, a Allmarket não abriu mão dos seus direitos contratuais. E nem deveria. Se o contrato com os americanos é na esteira daquele que seria assinado com os portugueses, autoriza-se a concluir que interesses privados repercutem em prejuízo do interesse público, que é o da torcida. Se for legal ou não (comercialmente até entendo que é legal) não está em questão.

Aumento

A Fundação Roberto Marinho, através dos principais dirigentes, participou na Globo News, de um debate sobre a renda média do trabalhador no Brasil. Baseado nos elementos ali discutidos e colhidos a partir de dados incontroversos do IBGE, um economista, torcedor do Atlético, transporta esta renda média para o aumento real do valor do ingresso na Arena.

Em 1999, quando o clube elevou o preço para quinze reais, a renda do brasileiro era de RS$ 1.138,00. O valor do ingresso por jogo comprometia 1,31 % da renda do torcedor de arquibancada. Em 2004, a renda média caiu para R$ 887,00. O valor de R$ 30,00 compromete 3,38% da renda. O gráfico conclui que o aumento real do preço do ingresso será de 174,80%.

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