Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá. E os coxas no Pinheirão. A relação do jogo com a peça teatral, por favor, não levem a mal. Bem longe de uma ironia, é a provocação de um fato inusitado: o Coritiba, logo o Coritiba, usando o Pinheirão para essa partida contra o Náutico. E, talvez, jogará outra e mais outra. E talvez, até, um Atletiba para decidir o campeonato paranaense.
A nova geração perguntará: o que de inusitado existe no fato?
Simplesmente a história. O Pinheirão sempre foi um tormento para o Coritiba. Combateu-o em todas as frentes e por todos os lados. Era a lei da selva. O Couto Pereira deixaria de ser o único ponto de referência para grandes jogos e o Atlético deixaria de ser o seu refém com a taxa de aluguel. Conseguiu segurar a sua inauguração até Onaireves Moura ser eleito presidente da FPF. Moura, crescendo como dirigente, improvisou um estádio, e levou o Atlético para lá.
Não foi mera coincidência que o poder isolado do Coritiba, seja sob o aspecto financeiro, seja técnico, passou a ser esvaziado a partir do Pinheirão. Por isso, um dia tem que ser repensada a relação entre Atlético e Pinheirão. Lembrando-a de vez em quando que não foi tão traumática em razão das circunstâncias da época. O Coritiba já repensou e vai acabar jogando, hoje à noite, contra o Náutico, no Pinheirão.
No final da peça, Greta Garbo desfila seu amor à solidão nas ruas suburbanas, transformando Irajá no próprio paraíso.
Tudo tem o seu tempo.