Panfletos

Os atleticanos andam chorando à goela solta as suas derrotas, como choram os árabes os seus mortos. Os mesmos que estimularam o casuísmo do mando único, agora exigem mudanças, nem que seja no limite radical da renúncia.

Sou contra os movimentos instrumentados com panfletos. É que a mensagem que carrega o panfleto é fria por ter as palavras medidas, e porque por ser impresso, tem o seu conteúdo calculado. Bem por isso, deixando de ser espontâneo, mesmo que tenha um fundo social, não deixa de ser de conveniência.

Sou contra os panfletos na Arena. Começa tudo com simples reação às derrotas, mas não custa e para isso nunca falta gente para alcançar logo o radicalismo, que repercute em prejuízo da instituição.

Não existe nenhum lugar em que é permitido com tanta amplitude o exercício do direito da liberdade de opinião, do que um estádio de futebol. Nele todos os sentimentos podem ser expostos, só que sob uma condição: com a alma, provocada em um dado momento, e em um dado minuto dos noventa minutos

de jogo. Não existe mensagem mais pura, mais contundente, do que a do ?queremos time?.

É o resumo mais extraordinário para censurar dirigente pela ruindade no campo.

Qual a razão desse anunciado panfleto contra Petraglia?

O valor do preço dos ingressos ou a falta de time? A permanência de Givanildo ou os interesses da imprensa? Como se vê, embaralham-se as coisas, e dá a impressão que por cinco reais o valor do ingresso, os Danilos, os Ivans, os Ferreiras, os Herreras, e os outros da vida, transformam-se em craques.

O Atlético se tornou grande o bastante para resolver seus problemas sem dor. Mas Petraglia precisa ajudar também e o bisturi está em suas mãos.

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