Panfleto

A carta dos jogadores do Coritiba censurando o presidente Vilson Ribeiro de Andrade em razão de contratos não cumpridos tornou um fato público. O resumo está na conclusão ao dar a marca de “irresponsável” à sua administração.

Escrevi, que Vilson de formação jurídica, não poderia descumprir os contratos com os jogadores. Arrematei exclamando, que Vilson estava adotando todos os vícios, mas nenhuma virtude de Mário Celso Petraglia, presidente do rival histórico.

Com a mesma isenção que critiquei o presidente coxa, li a carta. O que me impressionou não foi a pretensão de crítica agressiva, tampouco por ter sido inédita no futebol brasileiro. O que me impressionou foi que o brilhantismo da ideia se tornou fosco e desapareceu na mediocridade do seu texto. Não o texto em sua forma gramatical, embora seja carente. A mediocridade está no seu populismo, que nele tem sinônimo de covardia, porque se preocupou primeiro pra absolver o clube e a torcida, para isolar um ataque ao presidente, como se esse nada representasse.

Uma ideia brilhante foi transformada em um ato burro. Desprezou-se a motivação de fundo e correto, que era o direito de exigir lealdade aos contratos, e preocupou-se em agredir a pessoa de Vilson. E tomou um caminho tão agressivo, que se perdeu, entrando num campo em que só conselheiros, sócios e torcedores podem entrar que é a avaliação da administração de clube. A carta, ao se preocupar em isolar o clube, como se o clube não fosse o responsável imediato, e atacar Vilson por todos os cantos, transformou-se em um panfleto político.

Estão provocando o presidente Vilson para se manifestar sobre a carta. Entendo que ele não deve se manifestar. A agressão já foi praticada e tornada pública. Os jogadores é que teem obrigação de explicar o conteúdo do texto, porque um sentimento não se troca por dinheiro. Ou o fato de Vilson ter acertado as pendências, o torna “responsável”? Se for essa a hipótese, trocou-se dignidade por dinheiro.

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