A Capitu de Machado de Assis era mesmo uma danada, não só por ter olhar dissimulado, mas porque curiosa, gostava de saber de tudo. O ser humano, por natureza, é curioso, sem saber se é um defeito ou uma virtude.
É a curiosidade (já com características de vício), que me empurra para a coluna semanal de Adriano Ribeiro, da Gazeta do Povo. Nela, o corajoso jornalista assume o papel que todos nós gostamos, mas temos medo: exercitar a curiosidade. Só que esse ofício praticado por Adriano não é aquele dependente apenas do casuísmo ou da alienação, como se fosse um jogo de dados, em que a sorte e o azar se revezam. Seus palpites consideram os antecedentes de cada time já formados por resultados, e da análise, mesmo em tese, das condições técnicas e individuais dos times.
Tome o leitor como exemplo o palpite da coluna para o jogo do Atlético, em Chapecó. Está cravado: Chapecoense 2×0. Qual o critério adotado para tanta certeza, se os dois estão parelhos, e se a Chape, ainda, não conseguiu vencer em casa? Concordo: o Furacão não é de confiança quando joga sem os fluídos da Baixada. Concordo mais: a Chapecoense é time matreiro, cheio de manias por ser formado por cobras criadas, e que, talvez, seja o único nesse campeonato, que consegue jogar todas as partidas no limite. E mais um pouco: o rodízio de jogadores adotado por Autuori, impede qualquer projeção futura sobre o Atlético.
Bem por isso, a partir de hoje, o Furacão entra numa encruzilhada. O que quer nesse Brasileiro: provar a sua ambição de jogar por um estágio de grande, ou continuar enrolando a sua torcida na zona de comodismo?
O bom Adriano crava outra: Coritiba 1×0 Internacional.
Nós, jornalistas, para tratar em hipótese do resultado de um jogo, por mais que o cárater de imparcialidade seja sólido, por mais critério que se use na análise tática e individual dos times, tirando do fundo uma manifestação de vontade.