Palhaços

Quando o Galo empatou, Mário Celso Petraglia, irresignado, deixou a suíte presidencial e foi embora. Resignado, como se tudo fosse fato previsível, um pouco antes, já tinha pego a saída da Arena. Bem antes, meus vizinhos de cadeira, sem conforto, já tinham tomado o caminho de casa.

Tudo isso, porque o Atlético ao invés de jogar futebol vestia-nos de palhaços. No próximo jogo, talvez, sobrarão razões para irmos embora no intervalo. Mas vai chegar um dia, que não existirá mais razão de ir à Arena. Nem mesmo a paixão.

O empate a um gol contra um time identificado por apelido Galo, foi o fato menos relevante. Às vezes há empates e até derrotas que são irrelevantes.

É que um resultado pode ser um fato eventual, ou fato provocado pela circunstância inesperada de um jogo. Mas existem resultados, inclusive uma vitória, que fazem previsão de um estado perigoso que está sendo alcançado.

Esse jogo do Atlético de sábado de Carnaval contra a Adap, que às vezes é Galo, foi uma agressão à sua torcida, que, mais uma vez, foi induzida ao erro de ir à Arena com a esperança de ver um time.

Amaciado por quarenta dias, tratado a pão-de-ló no CT do Caju, o Atlético era esperado como um time dentro do conceito de time, sem maiores exigências: no mínimo, um grupo em que as deficiências individuais conseguem ser superadas pelo conjunto. Mas o que se viu foi um arremedo de time: disperso em idéias, desorganizado em funções, era um bando que não tinha e nem poderia ter a mínima intenção de ser um time para jogar futebol.

O mais grave é que se trata de uma maldosa rotina.

Já escrevi um par de vezes que com Vadão de treinador não existe futuro para o Atlético. O mais grave é que o futuro já chegou.

É bem verdade que esse time está bem longe de ser um exemplo de individualidades. Mas ninguém é exemplo no futebol brasileiro. Seus laterais Jancarlos e Michel são fracos, e seu meio-campo com Bahia, Cristian e Marcelo Silva é medíocre. Mas aí é que se reclama a intervenção do treinador: busca outras opções que tem no grupo, ou faz a força do conjunto sobrepor a necessidade individual.

As opções são poucas, mas existem. No futebol brasileiro não existe ninguém com sobras. E qualquer treinador de bom senso e de coragem não excluiria de um time de poucos recursos os meninos Roberto e Evandro.

É início de ano ainda, mas o Atlético já precisa de muitas respostas.
A principal, é se vale a pena insistir com Vadão?

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