O discurso de Mário Celso Petraglia sobre a construção da Baixada para a Copa do Mundo nunca me comoveu. Embora leigo para lidar com milhões, e ignorante para tratar de projetos arquitetônicos e construções, tinha consciência que entre os modelos de novos milagres, praticados por determinados homens, não está mais o da multiplicação sem o mínimo de censura.

continua após a publicidade

O Petraglia que voltou à Baixada não foi nem sombra daquele que apareceu em 1995, como um fenômeno que era ao mesmo tempo um furacão derrubando tudo e um fazedor construindo tudo.

O homem que voltou, não podendo apelar para aquilo que o pensador alemão Kant conceitua como “padrões de razão”, quis tocar a plateia com um perfil sentimental.

Passado pelo tempo (deuses também envelhecem) Petraglia esqueceu que o fato como verdade sobrepõe a tentativa de persuasão emocional, por mais apaixonada que seja a plateia. Principalmente, se a verdade é sustentada por uma oração humilde, compreensiva, técnica, científica e sem nenhum propósito fora do interesse do Atlético, como é a do engenheiro Enio Fornea Júnior, vice-presidente do clube.

continua após a publicidade

Sugeriu Petraglia que o Atlético construa sozinho, o que seria certo e o sonho de todos, mas que o faça tomando dinheiro no mercado (é o medo de todos) sugerindo nominalmente o poder público, a Fifa, a Globo e, em especial, o torcedor atleticano – sempre a grande vítima. A sua proposta taxaria cada sócio em 135 reais por mês (hoje se paga 70 reais) e mais 25 reais para um “caixa de construção”. Portanto, 150 reais mensais, além do ingresso avulso em 110 reais.

Petraglia, com as suas obsessões, está estragando a sua história. Quem não o conhece, por desconfiança, pode escrever uma página a mais. Uma página a mais é capaz de estragar uma biografia.

continua após a publicidade