Já não me lembro mais do qual assunto iria escrever, porque me perco na ausência de temas para consumo interno. Dirão que não existe assunto melhor do que uma final, e que o simples fato de ser Atletiba já o torna histórico, assunto insuperável.
Já pensei assim. Agora, não.
O Atletiba está desgastado como a nossa maior instituição. E a parcela maior de culpa, mesmo que involuntária, cabe ao Atlético. É que a partir da sua consolidação como clube de ponta do futebol brasileiro, já não faz mais da disputa caseira um meio de vida. O seu crescimento provocou um fato extraordinário, embora seja natural: adversários além-divisas deixaram de ser simples curiosidade para chegarem ao estágio de rivais.
Ganhar um título estadual já não soma tanto, embora tenha bem menos do que o Coritiba. Mas foi uma história escrita em outros tempos, com outros costumes, em que nosso prestígio não passava da ponte. Então, o título estadual era o limite para a consagração.
A expansão nacional do Atlético repercutiu diretamente no espírito do seu torcedor. Acostumado pela grandeza de dois títulos nacionais (brasileiro e seletiva), disputa de três Libertadores, e recentemente o vice-brasileiro deixado de ganhar só na última rodada, tornou-se insensível a causas de rotinas. Um Atletiba, mesmo que seja de final, passou a ser um fato de momento, cujas conseqüências não sobrevivem uma madrugada. Quer ganhar, mas se não ganhar nada acontece no dia seguinte.
Mais grave ainda é que o Atletiba de hoje contém mínimas verdades. Sem craques, vive da velha convenção já superada, representada por provocações de botequins como essas entre os treinadores Antônio Lopes e Casemiro Mior, aquele quase no final de carreira, já perdendo a própria razão, e este ainda longe da sabedoria, sem saber quando encontrará a razão.