Roberto Carlos e Chico Buarque de Holanda são duas instituições nacionais, portanto, as suas obras, embora protegidas pelo direito de propriedade, são também do povo brasileiro. Minha geração apanhou, ainda criança, Roberto. Tornou-se adolescente ouvindo Roberto, usou músicas da sua obra para embalar sentimentos, mesmo que se submete-se a caprichos da namorada.

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Quem um dia não se emocionou, conquistou ou voltou para alguém com a mensagem de “Outra vez”. Quem um dia não mandou flores para a amada, extraindo para o cartão a frase mais sensível da poesia musical no Brasil: “Você é a saudade que eu gosto de ter”.

O Código de Defesa do Consumidor surgiu para proteger os direitos do povo. Com tempo, transformou-se em mito, e agora está próximo de ser materializado como um engodo jurídico.

O corporativismo empresarial, e em especial o poder das instituições financeiras, foram tornando sensível o Poder Judiciário à sua aplicação. A lei, que era para comandar o consumo de forma objetiva, em decorrência desse tráfico de transigência, passou a ser aplicada pelo subjetivismo, que não estava no espírito do legislador, muito menos aceito por sua natureza em si, como lei. Consumo, na literatura jurídica, está associado, obrigatoriamente, ao povo, ao hipossuficiente, independentemente de sua condição social.

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Roberto Carlos passou a ser uma figura abstrata para o povo curitibano. Para esse, o limite está na televisão, no programa de Natal, ou em DVD. Ao vivo, se tornou caro demais.

E não é por sua culpa, mas pela ganância e oportunismo dos produtores, empresários musicais, que praticam preços que tornam vários segmentos sociais inacessíveis aos ídolos, principalmente a classe de baixa renda. Os preços vão de R$ 400 a R$ 1,2 mil. Mais grave, ainda, é que o show é subsidiado pelo Itaú e pela Nestlé, exatamente para imprimir natureza popular, e em consequência para baratear o valor do ingresso. A motivação é para marcar os 50 anos de carreira do maior ídolo brasileiro, portanto, a sua natureza ideológica deveria sobrepor o conteúdo comercial.

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Os produtores e empresários do show em Curitiba não estão explorando o povo. Pior: estão o impedindo de ver Roberto, pois ao taxarem um valor sem propósito, estão manipulando a vontade, o querer de quem sonhava em ver Roberto com 50 anos de carreira. E nem argumente que não existe local para um show popular. Essa é a desculpa para o crime.