A sua veia popular, o Paraná puxou do Clube Atlético Ferroviário. Não havia nada mais bonito do que a camisa de um vermelho de sangue, e a identidade do “boca-negra” protegendo o lado do coração. O Ferroviário foi o time que tirou o Paraná da marginalidade nacional. Jogou o torneio Roberto Gomes Pedrosa em 1967. Jogou 14 partidas: 4 empates e 10 derrotas. Era um tempo de grandes e pequenos. Hoje é um tempo de ricos, metidos a ricos e pobres. Mas essa é uma outra história.
Contra o Vasco, em São Januário, o Paraná vai tentar o que já parece possível: a sua primeira vitória no Brasileirão. A aparência de vitória possível não está posta com a pretensão de criar uma falsa expectativa. Não só por princípio, mas por ter aprendido a conhecer a alma de um torcedor, que compra ilusão com fatos casuais e depois tem que jogar fora. Eu de vez em quando, talvez por um resto de inocência ou por ser teimoso, entro nesse mercado, compro e perco. E quem me vende está cada vez mais rico. Então, o torcedor paranista já aprendeu no que pode acreditar ou não nesse campeonato.
A aparência de possível está refletida pela última imagem, que sempre adotamos no futebol para teorizar. Não se pode negar que o Paraná anda com o time ajustado. Nenhum treinador fará mais do que Micale está fazendo. Bem agrupado, protegendo a defesa como todo time de carências individuais deve fazer, não ganhou do Atlético porque as duas bolas decisivas do jogo, Caio jogou no Viaduto do Capanema.
Paciência
Um amigo de São Paulo, o agente Cesar Soler, às vezes pede para que eu tenha paciência com Fernando Diniz. Não foram poucas as vezes que ele mandou a mensagem: “Ele é bom. É inteligente. Vai dar certo. A torcida que tenha paciência”.
Respeitoso, não deixo-o sem resposta: “Paciência ela tem. Mas, até quando?” Soube que a paciência de Petraglia está acabando. Se conheço bem, já deu prazo para o Atlético sair da zona de rebaixamento: até a última rodada, antes do recesso da Copa do Mundo.
Tem sentido. Se o time não aprendeu o jogo de Diniz em 5 meses, não aprenderá em 30 dias. O período de recesso seria o tempo necessário para um novo treinador arrumar o Furacão.