Mais em forma de uma catedral com púlpito, do que de uma arena (e por isso é o mais belo entre os doze estádios), o Atlético devolve hoje a Baixada para o seu povo. Mais do que um estádio, bem mais do que um ato simbólico, é a representação viva de que a sua grandeza é maior do que as intenções pregadas pela estupidez de querer ser grande impedindo o outro de crescer.

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E essas intenções não são abstratas, não dependem de presunções. São atos praticados com o único objetivo de criar temor, tentar impedir, querer constranger.

Há trinta dias, véspera da data marcada pela FIFA para decidir se Curitiba continuaria ou não como sede da Copa do Mundo, o Tribunal de Contas investiu contra o governo do Estado para impedir qualquer repasse para a obra da Baixada. Agora, no dia do evento teste, o Tribunal determina, que a Fomento Paraná não repasse mais nenhum centavo para a Baixada. Motivo: as garantias dadas pelo Atlético seriam frágeis.

É aí que ao ato falta inteligência e sobra intenção escura. Não há na ordem jurídica do Brasil, garantia maior do que o próprio imóvel construído. O Atlético, mesmo não sendo obrigado, tornou gravo todo o seu patrimônio: o CT do Caju, a Baixada, e o sagrado crédito dos direitos da televisão que são utilizados para satisfazer o objeto social da instituição, que é o futebol.

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A Baixada custará 330 milhões de reais. O valor total da garantia real e de crédito está próximo de 690 milhões, assim decomposto: 65 milhões, o Caju; 490 milhões, a Baixada, e 135 milhões, o Potencial Construtivo. Descarta-se aqui o crédito dos contratos com a Globo, que todos os grandes bancos recebem como garantia nos empréstimos dos clubes.

Não entro em discussão jurídica, pois ela é desnecessária diante da intenção escancarada de constranger o Atlético. São fatos orquestrados, que o abuso de poder divulga-os sempre no dia de um grande acontecimento.

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Não foi a última nota musical.

Outras, ainda, serão executadas.