A extensão que se dá ao conceito de ética, pelos mais diversos interesses, acaba sendo resumido no comodismo imoral de que sem dinheiro o homem perde o orgulho próprio. Por isso que ele seria empurrado para longe dos seus valores.

continua após a publicidade

Não é o caso do Paraná. Esse encampa um motivo mais grave: a irresponsabilidade.

O presidente Aquilino Romani é o exemplo acabado do dirigente irresponsável. O dinheiro que, agora em dezembro falta ao clube para evitar o calote nos jogadores, é o mesmo dinheiro que não tinha em janeiro quando por vontade própria assumiu a presidência. E que não teve em fevereiro, março e durante todo o ano.

Quando já é possível prever que a conta a ser feita não poderá ser paga, no mínimo é uma irresponsabilidade. Esse ato quando é praticado no comando de uma instituição popular como é o Paraná, torna-se coisa de pródigo, inconsequente.

continua após a publicidade

E a cada ato que os dirigentes (Aquilino é só quem comanda) praticam, o comprometimento moral da instituição torna-se maior. Há o uso da dissimulação, mesmo que não seja voluntária, na medida em que se prometeu pagar os jogadores ontem e não o fizeram regular, picotando o problema para o futuro, para o próximo janeiro ou para a Justiça do Trabalho.

A foto dos jogadores largados em uma poltrona na sede da Kennedy, esperando o dinheiro devido e prometido, e com o dirigente ausente, lembrou-me de uma das cenas do filme “Sindicato de Ladrões”, em que os operários explorados, ansiavam pelo dinheiro que o patrão não lhe queria lhe pagar. Só que esses tinham a proteção de Terry Molloy, um ex-boxeador interpretado magistralmente por Marlon Brando.

continua após a publicidade

Dizem os dirigentes que pagarão dois meses. E que dezembro e o 13º salário serão pagos no futuro. Pagar passa a ser relevante apenas para os jogadores. O estrago moral já está feito, consumado. É irrecuperável.