Alan Bahia não tem graça, pois é calvo e sonolento. Baixinho, falta-lhe sempre um centímetro de altura para jogar onde joga, e dentro de campo é quase sempre irresponsável.

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Às vezes é melancólico.

Mas se Alan Bahia tivesse graça, porte e jeito de ídolo, e se fosse especialmente responsável, então o Atlético teria perdido o jogo da Vila Capanema.

Nenhum jogador responsável e consciente, àquela altura do jogo, subiria à intermediária acompanhando o lance, pediria a bola para trás, e chutaria a bola em velocidade no ângulo de um goleiro como Flávio. Seria uma aventura.

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Mas o futebol é emocionante em razão dessas extravagâncias: quando menos se espera, quando nada se espera, e de quem pouco se espera, surge um fato extraordinário como esse provocado por Alan Bahia, que, tal como o lenhador de Eça de Queiroz, ergueu-se da enxerga e acendeu a candeia. Paraná 2 x 2 Atlético.

O empate foi o resultado justo. Desmontado com a expulsão de Danilo no 1.º tempo, o Atlético soube se acomodar com dez em campo, em especial depois que Jancarlos e Michel saíram. O Paraná teve mais a bola, mas não teve discernimento para se impor.

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Ao contrário, durante bom tempo passou a tocar a bola muito mais por soberba do que por consciência. Quem usa de soberba, deixa de ser prático. No 1.º tempo, quando foi objetivo, levou a bola duas vezes pelo lado para Josiel marcar. Quem usa de soberba, sem ter condições para usá-la, sempre é castigado. Quando a soberba é grande, o castigo é pesado, principalmente quando ela exposta contra a mística de um clube.

O gol de Alan Bahia é daqueles que não se esquece. Mas não sei como narrá-lo.

Peço à Nelson Rodrigues: ?Defina-o?.

?O gol de Alan Bahia??

?Ora, foi uma orgia de ternura?.