Em sua crônica “Petraglia não se cansa de demitir o mordomo”, o jornalista Leonardo Mendes Júnior, cujo talento anda sobrando por essas bandas, deu duas opções para o presidente do Atlético: ou se reinventa ou pede o boné. Posso afirmar que as opções ofertadas pela excepcional crônica, tratando-se de Petraglia são de alcance impossível.
Para o homem se reinventar – ensina Winston Churchill, tem que sentar e ouvir. Petraglia gosta de ser chamado de “deus”. Dizem que certa vez, procurando na ciência médica o equilíbrio das suas emoções, ouviu o seguinte diagnóstico: “Para você ser uma pessoa normal é preciso se convencer de que não é Deus”.
Lenda, história ou contos da carochinha, a verdade é que ilustrando a sua personalidade com o principio maquiavélico de que é melhor ser temido do que amado, que a astúcia é mais forte que a razão, Petraglia nunca recusou a ideia de se apresentar com superioridade.
Afortunado como empresário de obras públicas ganhou dinheiro e poder, que agregados à sua excêntrica personalidade, faz-se temer. O homem, a certa altura da vida, tem impregnado certos vícios ao seu ser, que mesmo desejando, não consegue deles se livrar. Ao criar uma natureza própria na execução da vida, o homem não consegue mudar, tornando impossível a sua reinvenção.
A outra opção que o grande jornalista oferece é a de Petraglia “pedir o boné”. Dito de outra forma: renunciar.
O ato de renúncia exige a grandeza através da humildade. E no caso de Petraglia, à falta dessa grandeza soma-se o fato de não poder sair. Nesse momento está sem forças para carregar a caixa preta da construção da Baixada.
Amanhã eu trato do novo técnico.
