A multa de US$ 12 mil, que a Conmebol aplicou no Real Garcilaso foi uma ofensa mais grave do que o próprio ato de racismo praticado contra Tinga. O desconforto e a mágoa são mais sentidos quando o ofendido se sente desamparado, fragilizado como se ele carregasse a motivação da ofensa. A multa tratada como punição, um desprezo à dignidade humana, como se fosse possível ignorá-la como um valor espiritual e moral inerente a pessoa.
Procuro e não encontro uma irresignação da CBF. Ignoro qualquer reação das entidades de classe dos jogadores. Lembro, então, da recente coluna do Jânio de Freitas, da Folha, que conclui que nós no futebol pouco fazemos para diminuir esses atos.
As campanhas institucionais, com faixas e discursos a partir da FIFA, o populismo de se anunciar “A Copa contra o racismo”, não influem no ânimo do agressor, que sempre se protege com a existência ou não da intenção. Essas ações, só podem ser combatidas, implicando na perda de pontos. É possível, então, que pelo menos se disfarce o respeito.
Dúvidas
Não foram poucos os torcedores do Paraná que encontrei após a eliminação pelo Atlético. Mais do que tristes, decepcionados. É o estado que nos domina, quando não vemos perspectiva de futuro.
Há quem arrisque dizer que o Paraná continua aberto de teimoso. A sua administração atual pode ser honesta, mas é incompetente como as antigas. Nunca entrou tanto dinheiro no Paraná. O leilão do Tarumã e o arrendamento do salão da Kennedy foram alienações reais permitidas sob o pretexto de devolver a solvência financeira.
Mas ao invés de pagar, a diretoria atual onera ainda mais o clube, fazendo circular jogadores já em final de carreira para ser leal com um empresário.