Obrigações

Nenhum time entra para jogar a Libertadores da América com a obrigação de ser campeão. É que por se tratar de um torneio manhoso, ambientado em extraordinários contrastes de cultura, clima e escola de futebol, o resultado se torna imprevisível. Então, não seria o Atlético Paranaense, sem nenhum investimento sério no time para essa Libertadores, que deveria ser prensado pela obrigação de ganhá-la.

Mas, às vezes, ocorrem fatos que provocam algumas obrigações.

O professor Paulo Autuori criou para o Atlético uma situação incômoda que não deveria existir. Ao tratar como desprezível o título paranaense, por isso “o de 2016 não coloquei em meu currículo”, e agora, ao afirmar que “não se deve procurar coisa pequena”, Autuori se obriga a fazer do Furacão um time capaz de competir até o fim na Libertadores.

Como as manifestações de Autuori são incontroláveis, pode se encontrar nelas um bom propósito. Não acredito que o sentimento de alguém que vive o futebol dentro de campo há quatro décadas tenha esfriado tanto ao ponto de ignorar o sentimento alheio, o da torcida.

Fico em dúvida: o professor não estaria provocando a emoção dos jogadores nesse momento que a Libertadores ganha caráter decisivo? No futebol, há provocações psicológicas que batem fundo na alma humana. Mas, daí, lembro que os jogadores atleticanos não precisam ser provocados, pois em jogos da Libertadores exaurem-se.

O Atlético, hoje à noite, na Baixada, joga a sua classificação para a fase do mata-mata contra o argentino San Lorenzo. Não esperem um time tranquilo, e tomara que não seja. É o jogo em que a tensão, se agregada como virtude, provoca o cuidado e a atenção que se exige quando se enfrentam as traições de um time argentino.

A volta certa de Thiago Heleno, Otávio e Lucho González devolve o corpo ao time. Se Nikão e Pablo jogarem, então, o Furacão terá corpo e alma.

E deve vencer.

De primeira

Há várias questões a serem enfrentadas nessa coluna. A maldade praticada contra o ex-presidente Marcos Malucelli; o balanço financeiro do Atlético e da CAP S/A; e, agora, a posição do Município de Curitiba em negar o aumento do número de títulos do potencial construtivo para o pagamento da dívida da Baixada. São temas que eu vou tratar na próxima semana.

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