Obra silenciosa

Um dos motivos de que Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, não gosta de jornalista resume assim: “jornalista é engenheiro de obra pronta”. Como, às vezes, ele tem razão, escrevo agora antes da “obra” começar. E Deus queira que nunca comece.

Aos fatos.

Depois, que o delegado Clóvis Galvão esclareceu a morte de um torcedor do Paraná, as antigas lideranças das torcidas organizadas se afastaram. A organização foi tomada por grupos intolerantes, dirigidos por uma consciência sem nenhuma ideologia esportiva. O canto afinado de que “a camisa rubro-negra só se veste por amor” é só pretexto para que se alcance o objetivo de fundo. O risco de violência na Baixada e fora dela passou a ser potencial. Basta passar pela praça do Atlético em jogos na Baixada proibida.

O mais grave vem agora: a diretoria do Atlético não tomou nenhuma providência para combater essa intolerância. Omitiu-se no caso de Joinville, na medida em que permitiu ao Conselho Deliberativo tirar de pauta e não discutir o tema. Mantém integrantes das organizadas entre os conselheiros e entre os sócios, mesmo diante dos fatos provados e da suspensão esportiva do clube, numa espécie de anistia, que é ato de generosidade. Logo essa intolerância estará dentro da Baixada, que em sua forma de arena não possui a proteção física com o campo.

Sei que o direito dessas torcidas é protegido por princípio constitucional da livre associação, e que os clubes não têm o poder de extingui-las. Mas tem o poder e a obrigação, em razão de direito estatutário de afastar a sua influência direta ou indireta. Tem que pelo menos, que formalmente demonstrar essa vontade perante os órgãos públicos como instrumento de defesa e isenção de responsabilidade. Do contrário, os atleticanos de bem, que são a maioria, continuarão enlutados, sem poder ver o time jogar. Faltam 40 dias para Petraglia provar que sabe, também, fazer obras ideológicas, que não precisem de dinheiro.

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