O Velho e o Mar

Santiago, o velho pescador magro e seco, havia tempo regressava do mar sem pescar um único peixe. Certo dia, com uma tralha de barco, saiu em busca do peixe sonhado. A certa altura, naquela em que as esperanças dão lugar às ilusões, as mãos calosas pesaram. Santiago, então, olhou para o peixe e depois para o céu. E, então, a fábula começa a nos ensinar que podemos ser grandiosos, quando enfrentamos os desafios da vida. Ensina que para descobrir essa grandeza, basta ser fiel aos nossos sentimentos.

As últimas imagens da Baixada mostradas por fotografia transformam os atleticanos em heróis, como o velho de “O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway. Passaram anos submissos, dependentes de estádios alheios, de construções improvisadas e nem sempre acabadas, eis que a Baixada é entregue com a marca imprimida pela Fifa, como a mais bela arena que será usada na Copa do Mundo. A Baixada é resultado da força de espírito com que os atleticanos enfrentaram as suas derrotas.

Essa é uma realização que não permite individualizar heróis. Os tijolos foram colocados e tirados com o tempo, mas o espírito de realização passou de geração para geração. E esse sentimento que permite ver imagens tão belas.

O Velho enfim, pode realizar outro sonho: dormir e sonhar com leões.  O peixe se tornara uma presa fácil.

Crise

Ouvi ontem alguém dizer que o Paraná joga, em crise, hoje contra a Luverdense. Perguntei ao rádio: qual é o conceito de crise para o Paraná? O Tricolor joga em seu estado normal, isto é, com salários atrasados e ameaça de greve. Diferente seria a normalidade natural que se exige de uma instituição. É capaz que se algum dia voltar a alcança-la, o Paraná entre em crise. Uma vitória hoje lhe faria bem.

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