Se Alex, amanhã, anunciar que não jogará mais futebol é preciso compreendê-lo. O ato não pode ser tratado como abandono, nem ser objeto de maldade ou ironia e ser tratado como fuga. Simplesmente é a antecipação de um fim, que já estava previsto.
Quis conversar, mas Alex não me respondeu. Queria saber se é verdade, ou é apenas uma confusão de sentimentos e dúvidas, que a derrota do time de coração tem a capacidade de impulsionar. Presumir os motivos da verdade ou do sentimento de alguém, não é justo é especular. Mas, por força de uma relação pessoal antiga, me sinto autorizado a presumir o mais importante dos motivos, se a decisão for posta como fato verdadeiro.
Quando retornou ao Brasil, o Coritiba não foi escolhido por opção profissional, mas pelo sentimento de coxa-branca. Quando usamos o coração para nos deixar convencer, voltamos a ser ingênuos, acreditamos em tudo. Sei bem o que é isso, já fiz essas opções na vida e perdi, embora nunca me arrependesse de nada.
Por ser apaixonado pelo Coxa, Alex acreditou em tudo. Na estrutura que não existe, e que há anos é disfarçada pela grandeza popular do clube. Despertou toda a espécie de reação interna, como se fosse possível evitar ser ídolo. A ideia de antecipar o fim de carreira posso garantir, não nasceu com a perda do penta estadual. Não é, portanto, resultado de um conflito de sentimentos. Nada na sua vida foi fora de tempo. Por ser honesto, presumo, que Alex esteja reduzindo a sua importância para o futuro imediato do Coritiba. Deve ter concluído, que a mudança radical dentro do clube, que entende ser necessária, deve começar com um fato extraordinário.
E esse fato ele acha que tem o poder de criar: encerrar a carreira.