O significado de um título

Exigir que o Atlético seja igual no Brasileiro e na Sul Americana é um pouco de egoísmo, porque é contra a realidade. É dar um tratamento que o Furacão não deve ter: o de um time, independente de titular ou reserva, ou misto, ser melhor e ser obrigado a tudo.

Contra o Fluminense, pela Sul-Americana, pode-se exigir tudo. Por direito, optou a correr riscos contra o Ceará. Integral, jogar á contra um Fluminense insolvente em dinheiro, em gols e em técnica. Poderá até perder por diferença mínima. O tudo a ser exigido é o de ser finalista.

Não há, no histórico recente do Furacão, um jogo que tenha sido tão importante. Esse é o título que precisa ganhar para encaminhar definitivamente a sua vida. Em 2004, perdeu o bi brasileiro na tragédia de Erechim; em 2005, vítima da “mão grande”, deixou de disputar a Libertadores em igualdade com o São Paulo ; e em 2013, perdeu a Copa do Brasil quando era superior ao Flamengo. Nas três vezes, Petraglia já mandava sozinho. A conquista será importante para ele, também, para afastar a ideia de perdedor.

O que eu quero dizer é que a importância de ganhar a Sul-Americana não se esgotaria no ganho da vaga para a Libertadores de 2019. Importante para o Furacão seria o título de campeão. A vaga é consequência. O seu significado, a essa altura da vida do Rubro-Negro, seria imenso. Bem pensado, seria coisa para tratar na eternidade.

Tratamento

E se a final da Libertadores da América fosse ambientada pela maior rivalidade brasileira, que é a entre Grêmio e Internacional, acabasse impedida de ser jogada em Porto Alegre, pela violência das torcidas? Ninguém sabe o que é ironia, brincadeira ou seriedade no tratamento entre brasileiros e argentinos quando se trata de futebol.

Uma coisa ninguém pode negar: a mídia argentina, se é mais irônica ao tratar da rivalidade com brasileiros, é mais séria ao tratar do seu próprio povo. O texto do jornalista Jorge Mario Transmote, do jornal Olé, é um primor de confissão da própria vergonha argentina. O resumo está no título: “Somos um país de doentes mentais”.

Seria possível acontecer no Brasil. Por aqui, sempre a caminho dos nossos estádios há doentes mentais – e não são poucos. Mas o risco é bem menor, porque a polícia brasileira, para eventos públicos, adota e executa o sistema de segurança que é baseado no principio da prevenção. Tudo que se previne, em regra, evita-se ou diminui o dano.

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