O Atlético é tão grande e, por isso, às vezes, tão extravagante, que é capaz de fazer dois jogos em um. Foram dois os jogos de sábado, no Janguitão, contra o América Mineiro. No primeiro, que durou 94 minutos, e esteve perdido por duas vezes, o empate lhe cairia como um consolo; no segundo jogo, que durou apenas um segundo de tempo, jogou com corpo e alma, suou a camisa e foi à exaustão. E no pingo de tempo que restava usou a última esperança, que, embora envelheça, não caduca, e atende pelo nome de Paulo Baier: 5 x 4.

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Como o futebol é tão extraordinário e tão justo com os grandes, que às vezes despreza-se um jogo de 94 minutos para dar-se valor a um jogo que durou um segundo. Escrevi aqui um dia desses, o que Nelson Rodrigues me ditara: “O que procuramos no futebol é drama, é tragédia, é o horror, é a compaixão”.

Foi uma vitória que, talvez, possa um dia ser contada como um fato destacado de uma época. Digo, talvez, porque a vitória sobre o América só afastou um drama, decidiu um momento, arredou um desconforto dos sentimentos atleticanos. Por mais emocionante que tenha sido o seu final, foi mais um jogo.

Há muito para jogar e ganhar. Essa vitória só poderá ser contada como lenda se o clube voltar à Primeira Divisão. Aí sim o gol de Paulo Baier poderá ser contado nas versões mais diferentes ditadas pela alma, como se conta fatos da vida que se tornaram lenda.

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Mas não se pode esquecer o primeiro jogo. O empate seria o consolo para o Atlético, já escrevi; a derrota não seria injusta pelo pênalti inexistente sobre Marcelo e pela soma dos erros individuais e da intervenção do técnico Ricardo Drubscky. O goleiro Wéverton não falhou em nenhum dos gols. Ao contrário, salvou o Atlético da bola do jogo, que foi a de Rodriguinho e que seria o quinto do América. Mas Wéverton tem um defeito que vai se descobrindo com o tempo: atrai a bola inimiga. Quando menos se espera, ela chega trazendo fatalidade.

Manoel, que falhara contra o Bragantino, voltou a falhar. Por que sozinho está em má fase e por que é vitima do posicionamento em linha adotado pelo esquema. Sobre Drubscky, confesso que tive por ele o sentimento de pena. Tão sério, tão dedicado, tão idealista, mas limitado para fazer uma mudança, como a da lateral direita, que às vezes parece personagem saído do “Samba do Crioulo Doido” de Stanislaw Ponte Preta.

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