O salário de Geninho

No e-mail cuja autoria não negou, Mário Celso Petraglia quer retomar negociações com jogadores e contratos de marketing, excluir do clube o médico Edílson Thiele e o treinador Geninho, e gerenciar tudo o que se diz respeito à Copa do Mundo.

Como se vê, não quer pouca coisa. E, talvez, embora pareça, nem queira o mal. Ele só não quer deixar de fazer o bem para si. Então, assim, enreda-se numa malha de sentimentos pequenos e banais: egoísmo, individualidade, ambição, e o desespero pela perda do poder.

De todas as coisas que Petraglia quer, uma em especial, me chamou a atenção: a sua obsessão contra o treinador Geninho, tratado no e-mail como “os Geninhos da vida”. Foi uma ofensa. A origem dessa generalidade é lusitana, ligada aos cultos pagãos sagrados, ao qual foi imprimido o termo “mulheres sagradas” pois chamá-las de “mulheres da vida” ia contra um poder católico fundamentalista.

No Brasil não houve meio-termo. Sempre foram as mulheres de boates, prostitutas, que cativam jovens burgueses e provocam a ira dos seus pais. Com as leis e campanhas contra qualquer discriminação, o termo “mulheres da vida” passou a ser censurado, inclusive sendo causa para processo criminal.

Ao remeter Geninho para a generalidade de “Geninhos da vida”, Petraglia o tratou com desprezo, que repercutiu em alto grau de humilhação. Daí o desabafo sincero do treinador.

No passado, qual foi o crime de Geninho? Dar o maior título da história do Atlético, o brasileiro de 2001, e do qual Petraglia se gaba ser o herói, mesmo que tenha sido de última hora, ou evitar a maior humilhação da história do Atlético, e em especial de Petraglia, que seria o rebaixamento em 2009, e que iria massacrar a sua bela história no clube?

Qual é o pecado atual de Geninho? Remontar um time que estava no bagaço pelo descrédito e pela desmoralização do rebaixamento iminente, sem poder exigir um único reforço, aceitando sem reação a saída daqueles que, em tese, eram os dois melhores, Alan Bahia e Ferreira?

O ex-dirigente não é a pessoa mais indicada para censurar o salário do técnico, ou de qualquer gasto que essa diretoria venha a fazer.

O custo-benefício de Geninho é bem maior do que a comissão de 12% que o clube remunerava uma empresa sobre todos os recursos de entrada e saída de publicidade e campanha de marketing. Às vezes, batiam na casa de 150 mil por mês. E por coincidência, a direção de marketing tem uma sala no centro da cidade, no mesmo escritório de Mário Celso Petraglia.

O salário do treinador é bem menor do que a generosidade de se pagar 300 mil reais de luvas e salários de 70 mil reais por mês para Joãozinho jogar três partidas.

É bem menor do que de outras coisas que arrepiam.

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