O revolucionário

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No futebol, como era pregava em sua oração o holandês Rinus Michels, o maior treinador de todos os tempos, “tudo é cíclico”. Seu pupilo mais genial, Johan Cruijff, tornou a lição perfeita mais tarde: “Tudo é ciclico e, às vezes, uma ilusão. Usou a Hungria de Puskás, de 1954, como a sua Holanda de 1974, como exemplos – nunca mais os hungaros e holandeses conseguiram ter gerações como aquelas.

Quando o Barcelona apresentou-se ao mundo com o seu “tiki-taka”, baseado na ocupação de espaços para pressionar no campo adversário e expandido o time pela circulação de bola, o futebol já cansado de velhas convenções, em que a bola e o gol (esse, segundo o brasileiro Parreira) eram meros detalhes, tomou-se o catalão Pep Guardiola como criador de uma “nova revolução”.

Ontem, em Manchester, o City de Guardiola, com todo o dinheiro do mundo, foi eliminado da Liga dos Campeões pelo Liverpool, com mais história, é verdade, mas com um humilde quadro individual, embora exiba o egípcio Salah, o melhor jogador europeu dos dias atuais. E não só perdeu agora, por 2×1, como no confronto, foi humilhado: 5×1 nos dois jogos.

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Já havia perdido com o poderoso Bayern de Munique.

Quando Rinus Michels e Johan Cruijff deram um caráter cíclico e ilusório nos grandes momentos do futebol, foi em razão da Holanda de 1974. Pelo Ajax, dirigido pelo próprio Rinus, surgiu uma geração de craques que além da qualidade técnica, tinha uma virtude: havia um gênio Cruijff, e ao redor deles um grupo de jogadores de exceção em razão da inteligência. Krol, Rep, Neeskens e Rensenbrink, contam os historiadores, tinham um raciocínio que não era comum ao jogador de futebol.

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Pep Guardiola é um inovador e continua fazendo bem ao futebol, não se pode negar. Mas não pode ignorar que a imposição de seus métodos só foi possível de sua ascendência ao comando do Barcelona ao coincidir com uma geração portentosa como Pique, Busquets, Iniesta, Xavi e Messi cresceram e aprenderam juntos a jogar bola.

O pouco que Guardiola deixou no Barça, acabou ontem em Roma: Pique, Busquets, Iniesta e Messi, seis anos depois, e já sem a inteligência de Xavi, foram eliminados pela rústica Roma, em um improvável 3×0, em Roma.

A conclusão dessa história é única: não haverá técnico revolucionário se não ter um time com uma base de qualidade técnica e inteligente. Sem isso, as velhas convenções acabam voltando para compensarem essa falta.