O retrato de Petraglia

L endo a escritora Eliane Brum (El Pais), sobre Eduardo Cunha, é inevitável lembrar-se de Mário Celso Petraglia. Sugere até uma comparação. Como vilão, nega e denega; vê, mas finge que não viu; é, mas finge que não é; promete, mas diz que não prometeu.

Continua sendo o homem perfeito para executar a mentira que passa rasteira na paixão do torcedor como meio de manter o poder. Petraglia vive do futebol há vinte anos, sendo possível afirmar que é um cartola de porta de vestiário.

Todas as obras de Petraglia no Atlético são inacabadas. Há sempre um componente futuro no qual ele busca sustentar o seu discurso. Agora, é o gramado sintético. Logo depois, a Areninha. No campo, não há registro de uma única conquista como presidente, revelando-se como um exemplo bem acabado de perdedor. Em vinte anos, o Atlético não conseguiu fazer um único ídolo provocador de massas.

Insensível com a situação financeira do torcedor, foi incapaz de criar mecanismo para atrair a torcida e lotar pelo menos uma vez a Baixada. Exibe-se como o fazedor da maior estrutura física de clubes do futebol brasileiro, mas esconde que o termo de penhora desse patrimônio já está sendo lavrado no processo de execução de uma dívida vencida por inteiro, que com encargos bate nos 400 milhões de real.

Petraglia está nesse processo eleitoral como um perverso, que é aquele que transforma a farsa em realidade. A sua história é capaz de criar uma versão inédita do “O Retrato de Dorian Gray”. Na obra clássica de Oscar Wilde, o retrato é escondido dos olhos públicos, porque vai absorvendo e registrando todos os pecados que corrompem a alma do personagem na vida real.

O Atlético chegou numa encruzilhada e precisa dizer qual o caminho a tomar. Vai continuar vivendo de fantasia atendendo interesses mínimos, ou vai voltar a ser do povo?

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google