Entre os e-mails armazenados na minha caixa eletrônica durante as férias, estão os que provocam a questão da volta de Antônio Lopes ao Atlético. A maioria é contra, já se esperava. A paixão do torcedor que se magoa pela humilhação do rebaixamento não cicatriza tão fácil.

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Tenho muitos motivos para filiar-me a essa maioria. E nenhum seria tão forte quanto ao mais recente: o rebaixamento em 2011. Havia 18 jogos a disputar, um turno inteiro pela frente, mas Lopes fracassou com o time. Mais grave: disse que “por não ser responsável não colocaria a queda em seu currículo”. Não teve razão porque não contou a sua responsabilidade.

Para analisar a volta de Lopes não se pode dissociar a natureza do cargo para o qual foi contratado, nem associá-lo ao cargo de treinador. Sob o pretexto de profissionalizar, o futebol brasileiro abriu espaços a toda a espécie de executivos. Sérios, mas sem qualificação; qualificados, mas de conduta duvidosa. Em curto prazo, o executivo confunde interesses, sobrepondo os dele aos do clube.

Por ser necessário profissionalizá-lo, o cargo não dispensa o pressuposto principal: a idoneidade, porque ao executivo é delegada a competência de indicar, contratar, negociar o setor que mais onera o clube, que é o futebol. E há uma carência escancarada dessa virtude no futebol. A própria associação, que reúne esses executivos tem como regra básica a exigir que toda a contratação passe por eles.

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E Antônio Lopes é um estranho nesse ninho. É um profissional sério, um homem cuja vida pública já vai para 40 anos, sem receber uma única censura ética. O clube carente de administração do futebol não poderia desprezar essa opção rara do mercado.

Então respondo a questão: desde que não volte a ser técnico do Atlético, Antônio Lopes pode ser até o seu presidente. A grande dúvida é outra: até quando Lopes vai aguentar ver Dubrusky à beira do gramado? Dizem que a casca de treinador é mais difícil tirar que a de jogador.

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