Fui ver os sites de esporte, inclusive o oficial do Atlético, e encontrei o diretor Zimermann defendendo as contratações que fez. Disse: “Não custou nada e o clube não liberava dinheiro.” Há 30 anos, a desculpa seria até comovente, prova de competência. Mas, já há algum tempo, a operação sem custo no futebol é coisa de inocente. O “não custou nada”, em curto prazo, acaba gerando um ônus ao clube: o fracasso humilhante em um medíocre Estadual, a angústia antecipada para não ser rebaixado no Brasileiro, a revolta da torcida e a crise política no clube em razão de resultados são algumas das consequências do “não custou nada”.
O conceito de custo pode ter variações, mas existe um que é imutável: custo deve ser entendido como o valor integral que se investe para ter um jogador durante determinado período. Não se esgota em eventual valor gasto no momento da contratação. Vai além: o salário mensal do atleta, ajuda de custo, comissões de empresários, luvas e qualquer gasto, e a qualquer título, são recepcionados por esse conceito.
Não conheço na história do Atlético, nenhum dirigente que foi tão prestigiado com verbas para contratar como o senhor Zimermann. Assumindo em julho de 2010, teve liberado 3 milhões de reais para a aquisição dos direitos de Guerrón (40%) e Nieto. Os dois assinaram contratos por 3 anos, que irão custar até o termo final um valor próximo de 5 milhões de reais. O meia Madson custará até dezembro o valor próximo de 1,2 milhão. Lucas assinou por 2 anos, e até lá vai ter garantido 1,5 milhão.
A eles, junte-se a turma do “não custou nada”, como Herveton, Gabriel, Vítor, Flávio, Henan, Robston e os dispensados Marcos Pimentel, Ivan González, Sílvio e Wescley, que entre salários contratados e verbas rescisórias irão custar próximo de 1,5 milhão tomando por base a média salarial e o tempo de contrato.
Desde que o senhor Zimermann assumiu, portanto, o Atlético comprometeu em contratações um valor próximo a 12 milhões de reais. E o Atlético não tem time. O senhor Zimermann também afirmou que “o presidente liberou dinheiro e as contratações futuras serão de qualidade”.
Lembrei de uma passagem da obra O Processo, de Kafka. Esperando a sentença, na sala de julgamento, o acusado procura o seu advogado e pergunta: “Senhor, há esperanças?”. O advogado responde: “Esperanças há muitas, mas não para nós”.