Depois que foi presidente do Atlético, o saudoso Aníbal Khoury, usava na política a linguagem do futebol. Uma eleição como um jogo de futebol, às vezes, é decidida no detalhe, disse certa vez Aníbal. Há quem garanta que entre os detalhes imediatos que tiraram Luciano Ducci da prefeitura de Curitiba foi a infeliz mensagem que mandou para a Câmara para impedir a correção dos valores do potencial construtivo. Perdeu no detalhe: se já tinha os coxas contra, revoltou os atleticanos.
É inevitável que a Copa do Mundo vá ser tema de debate nas eleições para governador no Paraná. E, se Curitiba for excluída como sede, poderá ser o detalhe que vai afastar Beto Richa do Iguaçu. E a sua culpa será direta e incontestável. Já tinha errado por se transigente com a presença de Mário Celso Petraglia, que o mercado conhece nos negócios com o Poder Público. Mas o erro por esse fato, obrigatoriamente, tem que ser absorvido em razão de que a apuração da culpa de Petraglia não vai resolver o problema do governo, ao contrário, vai agravá-lo.
Há um erro maior do governo Richa, que Nicolau Maquiavel, em “O Príncipe”, já considerava tão grave quanto a corrupção: o não cumprimento das obrigações por trazer insegurança nos negócios que o Estado participa.
Ao fato concreto. O contrato entre Atlético, Governo do Paraná e Município de Curitiba divide o custo da Baixada em três. Considerando que o orçamento atual é de R$ 330 milhões, cada contratante está obrigado a R$ 110 milhões. O Município está cumprindo a sua parte, emitindo o potencial construtivo, atualizando o valor de acordo com a lei. O Atlético cumpriu a sua obrigação, garantido, mais do que estava obrigado, com seu patrimônio o dinheiro do BNDES.
E o que o governo Richa fez? Absolutamente nada. Limitando-se a ser um mero repassador do dinheiro do BNDES, garantido pelo patrimônio do Atlético (CT do Caju e direitos de televisão) e do Município (potencial construtivo), não participou com um único centavo.
A pergunta é: a obrigação não é cumprida por falta de dinheiro, por que o atual governo é mesmo descumpridor de contrato, ou por que a Copa do Mundo já não mais interessa como fato político? Essa última hipótese é que por que o deputado Valdir Rossoni sempre achou que a Copa beneficiará mais o PT, e por isso, estaria influenciando Richa para bombardear a Baixada.
Ao não cumprir com o contrato, o governo Richa não está cumprindo a palavra (e a assinatura) dada. Parece que não sabe usar as qualidades da raposa.
Deveria interpretar melhor Maquiavel e ouvir menos Rossoni.