O perigo do genérico

O valor de uma vitória no futebol, às vezes, não é limitado aos pontos ganhos. Pode passar desse limite para alcançar um estado que o torcedor não percebe. A importância de uma vitória para o Coritiba, em Salvador, não irá se esgotar nos três pontos. Talvez, a consequência fora dos números tenha a mesma valoração. Para se ter a exata noção do significado de uma vitória, adote-se a consequência de uma derrota, que está na conta do possível porque o Bahia, também, não pode perder.

O que fazer? Volte-se à nota oficial da diretoria do Coritiba na segunda-feira. Embora extensa, limitou-se a afirmar confiança na comissão técnica. Não imprimiu no texto o aspecto temporal. Se tivesse certeza da posição, assumiria a responsabilidade pelo Marcelo Oliveira, independente dos próximos resultados.

Um texto genérico, que propositadamente se afasta de um específico, sempre carrega intenções duvidosas. O que a diretoria do Coritiba precisa enfrentar antes do jogo é a questão: definir o tempo de vida dessa “confiança”, que diz ter no treinador.

O caso João Pedro

Nos últimos jogos, o menino João Pedro está revezando com Renatinho, o comando das vitórias do Paraná. Contra o Náutico, o menino foi simplesmente soberbo: com inteligência, velocidade e talento criou a causa direta para a vitória, 3×0.

O fato inusitado é a questão que os atleticanos provocam: por que o Furacão emprestou João Pedro ao Paraná, não tendo um meia como ele? O Atlético pode argumentar de que a torcida vaiava João Pedro, e que a imprensa tratava-o como inexperiente para jogar na caldeirão da Baixada. Mas torcida e imprensa não podem influir nas decisões de executivos que ganham salários milionários para avaliarem o que é bom e o que não é para o clube.

O caso João Pedro é a prova mais recente da incompetência de gerência do futebol atleticano. A regra geral que usa para a avaliação de jogadores, é cheia de vícios. O mesmo critério que determinou o empréstimo de João Pedro foi o que trouxe Eduardo Henrique, Eduardo da Silva, Grafite, Ribamar e outros que já estão caindo no esquecimento. É o critério de Autuori.

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